Rússia celebra saída de Boris Johnson: “Ele não gosta de nós, nós também não gostamos dele”

O Primeiro-ministro britânico, envolto numa profunda crise política no Reino Unido, já anunciou que irá deixar a liderança do governo e a Rússia não podia estar mais satisfeita.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse que “ele [Boris Johnson] não gosta de nós, nós também não gostamos dele”, cita a agência ‘Reuters’. Peskov terá afirmado que a demissão de Johnson não é de grande importância para a Rússia. De recordar que o líder britânico tem sido uma das vozes mais duras que se levantaram contra a Rússia no decorrer da guerra na Ucrânia e que mais tem investido na ajuda militar a Kiev.

Por sua vez, a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrageiros da Rússia, Maria Zakharova, afirmou que a saída de Johnson é um sintoma da degradação do Ocidente e que a sua queda é consequência das suas próprias ações. E disse que lição a retirar de todo esse episódio é uma: “Não tentem destruir a Rússia”.

Numa outra publicação na rede social Telegram, Zakharova apontou que “tem sido divertido assistir ao desenrolar da crise governamental no Reino Unido”.

Com base em testemunhos de diplomatas russos nesse país, ela disse que as convenções do Partido Conservador, liderado por Johnson, “mais pareciam festas de repúblicas universitárias cheias de álcool”.

“As pessoas sabem quem levou o Reino Unido até ao limiar do colapso”, sustenta a porta-voz, e acrescenta: “Este não é um problema nossa. É um problema britânico”.

O Presidente do Parlamento russo, Vyacheslav Volodin, foi mais efusivo a sua celebração da saída de Johnson, escrevendo no Telegram que “o palhaço saiu” e afirmando que “apesar de todos os esforços, ele não conseguiu sobreviver”.

Volodin chega mesmo a apontar o Primeiro-ministro britânico como sendo “um dos principais ideólogos da guerra contra a Rússia”.

Mas as reações de alívio e contentamento não chegam só da Rússia. Também no seio da União Europeia, algumas vozes dizem que a saída de Johnson pode marcar um novo começo das relações entre Bruxelas e Londres.

O eurodeputado Guy Verhofstadt, do grupo “Renovar a Europa”, escreveu no Twitter que “o reino de Boris Johnson termina em desgraça, tal como o seu amigo Donald Trump.” E espera que esse seja um sinal do “fim de uma era de populismo transatlântico”.

E sublinha que “as relações entre UE e Reino Unido sofreram grandemente com a escolha de Johnson pelo Brexit”. “As coisas só poderão melhorar!”, garante o eurodeputado.

Também a Primeira-ministra da Escócia, Nicola Sturgeon, que tem sido uma forte opositora ao governo central em Londres, afirmou que “haverá um sentimento generalizado de alívio de que o caos dos últimos dias (e até meses) chegará a um fim”, mas confessa que a ideia de Johnson se manter no cargo até ao outono está “longe de ser ideal”.

Sturgeon, que ainda ontem tinha recebido uma rejeição liminar do governo britânico para a realização de um novo referendo à independência escocesa no dia 19 de outubro de 2023, acusa o Primeiro-ministro britânico de ser “manifestamente desadequado” para o cargo.

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