Reino Unido: Campanha com 75 mil assinantes apela à “greve” do pagamento das contas da luz e do gás

Uma campanha no Reino Unido, promovida por um grupo chamado “Don’t Pay”, ou “Não pague” em português, está a apelar aos consumidores britânicos para não pagarem as contas de eletricidade, cada vez mais caras devido à crise energética que ganha impulso na Europa.

Não se sabe quem estará por detrás desse apelo ao protesto, mas a campanha já terá conquistado 75 mil pessoas no Reino Unido, que cancelaram os débitos diretos as suas contas de luz e gás a partir do dia 1 de outubro. No Twitter, a campanha promete que se um milhão de pessoas se juntarem ao movimento, “vamos suspender os pagamentos às empresas de energia”.

Os organizadores adiantam que a campanha está a ser financiada totalmente através de donativos.

Alertando que “milhões de nós não conseguirão pagar comida e contas este inverno”, os organizadores da campanha dizem que se o governo britânico, em plena convulsão depois de o Primeiro-ministro Boris Johnson ter anunciado a sua saída em julho, não for capaz de limitar os aumentos dos preços da energia, eles aplicarão o seu próprio teto nos preços.

Dados do regulador britânico dos mercados da energia, a Ofgem, mostram que atualmente os consumidores no Reino Unido pagam anualmente cerca de 2,3 mil euros, um valor recorde que reflete fortemente os problemas sentidos nos mercados mundiais, especialmente nos europeus, de gás e petróleo. A guerra da Rússia na Ucrânia, começada a 24 de fevereiro último, intensificaram a subida dos preços dos produtos energéticos e tem vindo a fazer crescer exponencialmente os preços pagos pelos consumidores.

Contudo, as previsões da consultora Cornwall Insight citadas pela ‘Sky News’, apontam que em outubro o custo anual poderá chegar aos quarto mil euros, sendo em que em abril do próximo ano esse valor poderá mesmo atingir os 4,4 mil euros. Essas estimativas baseiam-se nos aumentos dos preços do gás natural, que têm alcançado máximos históricos devido ao conflito no Leste europeu.

Os organizadores da “Don’t Pay” avançam que todas a semanas o número de pessoas que se juntam à sua campanha duplica, e apontam que a indignação da população britânica tem vindo a subir nas últimas semanas e que foi ainda mais inflamada depois de as petrolíferas, como a Shell e a BP, terem comunicado lucros significativos, enquanto as populações enfrentam crescentes dificuldades para pagarem as contas de luz e do gás.

Esta quarta-feira, o Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres, acusou as empresas do setor dos combustíveis fósseis de serem “imorais” por estarem a retirar lucros avultados da atual crise energética.

O mesmo jornal britânico relata que a “greve” dos consumidores ao pagamento das contas da energia será um problema que terá de ser resolvido por quem vier a suceder a Boris Johnson na liderança do governo britânico, que deverá ser a atual ministra dos Negócios Estrangeiros, Liz Truss, ou o ex-ministro das Finanças, Rishi Sunak.

Downing Street já acusou a campanha de ser “altamente irresponsável” e que só irá fazer com que “em última instância, apenas fará subir ainda mais os preços para todas as outras pessoas”.

Reconhecendo que “nenhum governo pode controlar os preços globais do gás”, o governo em Londres afirmou que está a fornecer apoios de cerca de 44 mil milhões de euros aos consumidores residenciais e já ativou um plano de descontos de mais de 400 euros nas contas da luz e do gás. Essas medidas já foram alvo de crítica por parte da oposição trabalhista e de organizações cívicas, que dizem que esses apoios não conseguirão evitar que milhões de britânicos sejam empurrados para o limiar da pobreza.

“Os nossos políticos e as empresas de petróleo e gás desenharam um sistema energético para apenas gerar dinheiro e para fazer aumentar os seus lucros, independentemente dos custos humanos”, acusam os organizadores da campanha.

“Se o governo e as empresas energéticas se recusarem a agir, então o cidadão trabalhador comum agirá”, avisam. “Coletivamente, vamos impor um preço justo e o governo e os gigantes do petróleo e do gás terão de se desenvencilhar”.

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