Regulação da canábis: Vai “criar mais doentes” ou “proteger a saúde pública”? Especialistas dividem-se

De acordo com os dados revelados este ano pelo Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência, Portugal é o segundo país com a maior percentagem de consumo de canábis entre adultos, ultrapassado apenas por Espanha.

Por cá, assim como no país vizinho, cresce o debate sobre as vantagens e desvantagens da regulação da canábis, com mais de 60 personalidades portuguesas a terem defendido numa carta aberta ao parlamento a regulação e a proporem que a legislação defina a idade mínima para consumo, regras para cultivo e produção e crie um imposto especial.

O jornal espanhol El Mundo falou com Fernando Caudevilla, médico e investigador do consumo de canábis, cocaína e drogas sintéticas, e com Lourdes Azorín, médica e psicóloga especialista em dependências. As opiniões dividem-se.

Caudevilla defende que “para agir é preciso regulamentar. O que está nas mãos dos traficantes não pode ser controlado.” Por outto lado, Lourdes Azorín, considera que “regular é aumentar a oferta para consumir uma substância que não traz nenhum benefício para a saúde e cria dependência, porque é um psicotrópico”. “É absolutamente contraproducente”, diz.

A psicóloga considera que a canábis tem vindo a “ficar mais pura” e “gera uma dependência que priva as pessoas da sua capacidade de autogestão.” Já o médico considera que “a maior parte do uso de canábis não é problemático nem viciante. Fala-se sobre a potência da canábis. Claro, num mercado não regulamentado é impossível ter variedades como a usada para a terapêutica, que tem THC e CBD equilibrados.”

Uma substância com controlo legal aumenta os problemas de saúde “porque haveria mais pessoas com dependência e mais transtornos associados”, defende Lourdes Azorín.

Comparando com o tabaco, Fernando Caudevilla considera que “a maioria das pessoas que fumam tabaco são viciadas em nicotina. A maioria das pessoas que usam canábis não tem um padrão de dependência. E para fumar existem alternativas: os vaporizadores, que evitam os efeitos tóxicos da combustão.”

Para a psicóloga, “regular vai criar mais doentes” e para o médico a regulação “vai proteger a saúde pública.”

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