Quatro em cada dez portugueses não podem passar uma semana de férias fora de casa

Na União Europeia, cerca de 28% dos cidadãos com 16 ou mais anos não podem pagar uma semana de férias fora de casa. Esta percentagem sobe para 38% em Portugal.

Ou seja, quase 40% dos portugueses vivem em agregados familiares que não conseguem pagar por pelo menos uma semana de férias fora de casa, avança o jornal Público.

Apesar de a possibilidade de gozar férias ter aumentado ao longo da última década, de acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística, citados pelo jornal, no ano passado, entre Abril e Setembro, com a crise já instalada mas com os apoios do Estado, 38% dos residentes responderam que não conseguiam pagar alojamento e viagem para todos os membros da família, menos 2% do que no ano anterior.

Olhando para a UE, a percentagem atinge os 59,5% entre os países pobres, escreve o Público. “As piores taxas encontram-se na Grécia, onde 88,9% das pessoas pobres não pode suportar os custos de oito dias de fora de casa. Seguiam-se a Roménia (86,8%), a Croácia (84,7%), o Chipre (79,2%) e a Eslováquia (76,1%). Portugal (72,6%) integrava o segundo grupo, com a Hungria (72,8%), a Bulgária (71,6%) e a Itália (71,2%)”, de acordo com o jornal.

Aliás, a desigualdade no acesso às férias entre os que têm rendimentos abaixo e acima do limiar da pobreza aumentou em 16 Estados-membros na última década, adianta ainda o Público. Em Portugal, por exemplo, passou de 32.2% em 2010 para 39.4% em 2019.

Muitas pessoas em situação de pobreza encontram-se desempregadas ou reformadas, alerta a Confederação Europeia de Sindicatos, citada pelo jornal. “Os salários mínimos legais deixam os trabalhadores em risco de pobreza em pelo menos 16 Estados-Membros.”

Em Portugal, a maioria dos adultos em risco de pobreza trabalha de forma permanente ou intermitente e muitos, apesar de estarem acima do limiar de pobreza, num instante, podem ficar abaixo.

“Há uma percentagem importante de pessoas vulneráveis. Qualquer acidente, como o desemprego, o divórcio ou a doença, as atira para uma situação de pobreza”, explica ao Público o professor da Universidade dos Açores e investigador do CICS.NOVA, Fernando Diogo.

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