Putin vai encerrar Nord Stream 1 para manutenção. Se o gasoduto não reabrir, metade da Alemanha arrisca ficar sem gás

O governo russo vai suspender o funcionamento do gasoduto Nord Stream 1, que leva o gás da Rússia para a Alemanha, durante 10 dias para reparações, entre 11 e 21 de julho. Contudo, existe a possibilidade de não voltar a funcionar e de metade das casas alemãs ficarem sem gás.

Estamos em pleno verão, mas os países europeus estão já de olhos postos no inverno que se aproxima, que poderá ser o mais conturbado dos últimos anos. A guerra da Rússia na Ucrânia mergulhou o “velho continente” numa pré-crise energética, não só por causa das disrupções ao nível do abastecimento de petróleo à Europa, mas também devido à incerteza sobre a continuação do envio de gás russo para a região ocidental.

De acordo com o portal de notícia alemão DW, se a Rússia não voltar a colocar o gasoduto em funcionamento no final do período estabelecido e se Putin decidir definitivamente “fechar a torneira” ao gás à Alemanha – um cenário possível – , metade das casas no país poderão ficar sem eletricidade e aquecimento.

O jornal espanhol ‘El Economista’ aponta que as reservas alemãs de gás estão hoje no nível mais alto dos últimos dois meses, mas isso poderá não ser suficiente para garantir o fornecimento de gás e a produção de eletricidade para o inverno que se aproxima a passos largos.

À norte-americana ‘CNBC’, o responsável da empresa de análise Eurasia Group, Henning Gloystein, afirmou que o Nord Stream 1, com 1.224 quilómetros, é essencial para a segurança energética a nível europeu, pelo que a sua interrupção por um período mais longo do que o esperado, a 21 de julho, terá sérias consequências para toda a Europa.

Numa altura em que Putin está a instrumentalizar os combustíveis fósseis, como o petróleo e o gás natural, como arma contra a União Europeia, como retaliação às sanções que o bloco lançou contra a Rússia por causa da guerra na Ucrânia, muitos países têm vindo a preparar planos de contingência para tentar garantir a produção de eletricidade.

O próprio governo alemão já avisou este mês que iria reativar as suas centrais de produção elétrica a carvão para se preparar para cortes no fornecimento de gás russo, tendo o ministro da Economia alertado que, apesar de a segurança do abastecimento estar atualmente garantida, “a situação é séria”.

O mesmo caminho seguiu a Áustria, que planeia retomar a produção de eletricidade através do carvão na central de Mellach.

Mais a norte, a Suécia e a Finlândia declararam estados de prevenção face à possibilidade de o gás começar a escassear nesses dois países nórdicos, afirmando os respetivos governos que existem “sérios riscos” de perturbações no fornecimento de gás durante o inverno deste ano e a primavera do próximo.

De recordar ainda que a especialista em Política Económica, Helen Thompson, prevê que “a Europa sofrerá um duro inverno energético” e alertou que se deverá esperar uma competição “implacável” por esse combustível fóssil.

A anunciada crise energética na Europa, que ganha cada vez mais impulso, poderá testar a unidade dos países europeus. Sinal disso é a decisão do Reino Unido de colocar em cima da mesa a possibilidade de deixar de enviar gás para a Bélgica e para os Países Baixos se os gasodutos britânicos registaram uma descida acentuada do volume de gás a circular.

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