Preços dos combustíveis dispararam mais de 20% em Portugal desde o início do ano

Os futuros do petróleo estão a disparar em todo o mundo. Na Europa, a cotação do Brent, referência do ‘ouro negro’ para o velho continente, aumentou 53% desde o início do ano, de acordo com as contas da Bloomberg Intelligence.

Em Portugal, esta ‘montanha russa’ teve um impacto no preço final da gasolina que aumentou 20,40% desde o início do ano, e do diesel, que cresceu 20,57%, em igual período, de acordo com um boletim da União Europeia, publicado esta quinta-feira.

A tendência foi seguida por outros Estados-membros. Em Espanha a gasolina disparou 26,18% e o diesel 27,64%, liderando assim a tabela, seguida de França (19,36% para a gasolina e 21,16% para o diesel), Itália (20,62% para gasolina e 21,75% para o diesel) e Holanda (23,5% e 27,4%, respetivamente).

A média da União Europeia ronda os 25,54% no que toca ao preço da gasolina e 26,08% no diesel.

Relativamente ao peso da fiscalidade nos preços dos combustíveis, Portugal tem das maiores cargas da Europa, (56% na gasolina e 51% no diesel), bem acima de Espanha (49% no preço da gasolina e 45% no preço diesel), mas afastado do líder da tabela, a Itália (60% na gasolina e 56% no diesel).

Os preços vão continuar a aumentar?

A Agência Internacional de Energia (IEA) espera que o mercado de cerca de 100 milhões de barris/dia se torne superavitário no primeiro trimestre de 2022, e que a oferta supere a procura em cerca de 1,1 milhões de barris/dia, reduzindo assim os preços. O excesso de oferta pode aumentar para 2,2 milhões de barris/dia já no segundo trimestre, de acordo com previsões de analistas da área.

No entanto, são projeções que dependem da OPEP e respetivos aliados aumentarem a produção para 400 mil barris/dia por mês, já que o grupo mais conhecido como OPEP+ (aliança entre a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e outros países com grande produção de petróleo, principalmente a Rússia) tem desfeito lentamente os cortes a que foi obrigado durante a pandemia.

O relatório mensal da IEA, na passada terça-feira, mostrou que a OPEP+ está longe das suas metas: produziu menos de cerca 700 mil barris/dia em setembro e outubro, grande parte devido às dificuldades dos principais produtores africanos – Nigéria e Angola -, cujos problemas de manutenção e investimento devem pesar também na produção do próximo ano.

Se a subprodução continuar, poderá eliminar grande parte do superávit do 1º trimestre e manter os mercados apertados por mais tempo. A IEA subiu a sua previsão de preços médios de 2022 para 79,4 dólares pelo barril, mesmo garantindo que o aumento da oferta poderia dar algum alívio.

Os Estados Unidos e outros grandes consumidores de energia pediram à OPEP+ que aumentasse a produção mais rapidamente, mas o grupo recusou-se devido à preocupação de que nova pandemia da Covid-19 possa voltar a reduzir a procura no inverno.

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