Pandemia: O que podemos aprender com a resposta do Reino Unido ao “longo covid”?

O Reino Unido tem apostado no acompanhamento e tratamento dos efeitos de longo prazo da Covid-19, aquilo a que já é conhecido por “covid longo”. Em Portugal, existem já consultas de acompanhamento doentes pós-Covid no SNS e nos hospitais privados. Mas que lições podemos tirar da resposta britânica?

Estima-se que a “Long Covid” – que surgiu após a primeira onda de casos na primavera de 2020 – afete quase um quarto de todos os pacientes, com sintomas como fadiga crónica, dores musculares e sensação de névoa cerebral que persistem ao longo de semanas ou até meses.

O Reino Unido tem recolhido dados e estabelecido protocolos de tratamento desde o final de 2020, tendo mesmo criado 83 clínicas para assistência a estes doentes, escreve a Bloomberg. O Instituto Nacional de Investigação em Saúde do pais anunciou mesmo um investimento de mais de 23 milhões de euros em 15 estudos que analisam as causas e os impactos físicos e mentais desta condição.

Estima-se que 3,2 milhões de pessoas no Reino Unido, ou seja, 6,2% da sua população adulta, estejam a passar por sintomas prolongados de Covid que estão a afetar negativamente a sua vida diária, de acordo com dados mais recentes revelados no país.

Charlotte Summers, investigadora-chefe do ensaio clínico Heal-Covid do Reino Unido, trabalha diretamente com o sistema nacional de saúde e o Institute for Health Research para estudar e tratar pacientes que apresentam sintomas graves nas semanas após as hospitalizações por Covid.

As infraestruturas de saúde e a investigação no país têm sido fundamentais para o progresso: “Tem sido absolutamente fundamental para a realização de testes de vacinas, testes de terapia e tudo mais”, disse ela. “Eles desviaram recursos e garantiram que as barreiras desaparecessem.”

Danny Altmann, professor de imunologia do Imperial College de Londres, diz que as atuais evidências de vários países sugerem que um número significativo de pessoas que contraem Covid-19 – quer saibam que estão infetadas ou não – correm o risco de desenvolver uma doença a longo prazo.

“A cada nova versão de Covid-19 que surge, temos uma regra de ouro: Qualquer caso, quer seja assintomático, ligeiro, grave, com ou sem internamento, apresenta um risco até 20% superior de desenvolver a doença por muito tempo e não vimos nenhuma exceção a esta regra”, afirmou, citado pelo ‘The Guardian’.

No Reino Unido, onde a situação da variante Delta é agora mais preocupante, com as infeções a poderem chegar brevemente às 100 mil por dia, Altmann diz que é razoável esperar que cerca de 20 mil desses casos diários desenvolvam ‘Long Covid’.

Ainda assim, há enormes incertezas no que diz respeito a esta condição, nomeadamente quanto ao risco que cada pessoa corre, ao tempo que duram os sintomas e a que tratamentos podem ser úteis para combater esta doença.

Em Portugal, os principais hospitais privados como é o caso do Hospital da Luz, Lusíadas ou CUF, oferecem já consultas de acompanhamento para doentes recuperados pela doença. Também o SNS está a apostar neste tipo de acompanhamento:

“A síndrome «Pós-Covid» é uma nova faceta da pandemia, que exige acompanhamento e cuidados de saúde especializados. O Serviço de Pneumologia do HFF (Hospital Professor Doutor Fernando Fonseca) tem como objetivo identificar, de forma precoce, se estão presentes sequelas que podem ser alvo de reabilitação, com vista a uma recuperação total”, refere comunicado datado de abril deste ano sobre a abertura de consulta no hospital Amadora-Sintra. “Os doentes acompanhados nesta consulta especializada do HFF apontam o cansaço fácil e persistente, bem como a dificuldade em respirar, como as queixas mais frequentes”.

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