Novo estudo: Cientistas descobrem galáxias que emitem misteriosas explosões de energia

Duas investigações permitiram a cientistas norte-americanos catalogar uma série de galáxias que estão a emitir misteriosas explosões de energia, conhecidas por explosões de raios-gama-curtos (SGRBs). Os investigadores conseguiram aferir que pelo menos 84 galáxias distantes produzem este fenómeno.

Este novo estudo permitiu aos cientistas perceber que há muito mais emissões de energia deste tipo a ocorrer no universo distante, quando este era mais novo, do que o que previamente se pensava. As galáxias onde ocorrem emissões de SGRBs são, segundo detalham os autores, na sua maioria galáxias recentes nas quais as estrelas ainda estavam em formação.

Os cientistas observaram que o fenómeno das SGRBs ocorre com maior predominância em zona próxima do exterior das galáxias, como se tiverem sido ‘expulsas’ das galáxias que anteriormente verificavam a sua ocorrência.

Permanece um mistério para os investigadores como é que estas emissões de energia viajaram ao longo de milhares de anos-luz, a partir das galáxias onde originaram. Os cientistas esperam que este ‘catálogo’ de galáxias que emitem energia permitam perceber melhor a origem destas emissões, que ocorrerão quando duas estrelas de neutrões colidem uma com a outra.

As SGRBs estão entre as explosões mais brilhantes do universo: ainda que os raios-gama só durem escassos segundo após a explosão verificada, a luz e o brilho formado podem durar horas, o que permite que os cientistas os detetem com os mais potentes telescópios. Mas, como são raras, são poucas as explosões que anualmente são identificadas pelos astrónomos: daí que a lista que agora decorre do novo estudo se revele essencial para perceber melhor este fenómeno.

As conclusões dos dois estudos foram agora publicadas no The Astrophysical Journal. De acordo com o segundo estudo, 85% das galáxias onde ocorrem SGRBs são galáxias consideradas ‘novas’ – anteriormente pensava-se que o fenómeno ocorria mais em galáxias à beira da morte -, o que sugere que as estrelas de neutrões se podem formar em vários ambientes diferentes.

Os investigadores adiantam que esperam encontrar ainda mais galáxias onde ocorrem SGRBs com a ajuda do Telescópio Espacial James Webb (JWST), especialmente as mais afastadas do nosso sistema solar.

“A capacidade do JWST de observar galáxias longínquas no universo poderá permitir descobrir ainda mais galáxias onde ocorrem SGRBs, e que até agora evadira a deteção. Talvez até revelar uma população perdida ou uma ligação ao início do universo”, afirma Anya Ngent, estudante e uma das investigadores da Universidade de Northwest, nos EUA, que lidera o estudo.

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