Não é só querer: Millennials que gostariam de ter filhos mas não conseguem revelam luta «devastadora»

Há uma nova geração de pais e de jovens adultos que gostariam de o ser mas que não conseguem reunir as condições necessárias. Testemunhos partilhados pelo The Guardian mostram que ter filhos nem sempre é apenas uma questão de vontade e que a situação pode tornar-se complicada de gerir.

«A maioria da minha geração simplesmente não tem dinheiro para isso. Não ter filhos está fora do meu controlo e é uma realidade devastadora e frustrante», afirma Jen Cleary, antiga professora que, aos 35 anos, conta como a instabilidade financeira foi determinante para desistir do sonho de ter uma família.

Infertilidade, não ter o desejo de ter filhos ou não querer trazer crianças por um mundo condenado pelas alterações climáticas são apenas algumas das razões para as taxas de natalidade cada vez mais baixas. A história de Jen Cleary é exemplo de muitos Millennials – pessoas nascidas entre 1981 e 1996 – que querem ser pais mas que não o conseguem fazer por motivos financeiros.

Segundo Jody Day, fundador da rede Gatewar for Woman, uma em cada cinco mulheres não tem filhos quando chega à chamada “meia-idade”. Destas, 80% justifica a situação com circunstâncias e não com infertilidade. Em muitos casos, essas circunstâncias são problemas sistémicos, como os créditos contraídos para pagar a universidade ou a escalada dos preços da habitação.

Olhando para o Reino Unido, estimativas do Child Poverty Action Group sugerem que o custo de criar uma criança até aos 18 anos, atualmente, pode chegar às 71.611 libras.  Em muitos casos, é preciso mesmo escolher entre ter um filho ou ter casa onde viver: «Existe uma mudança incrível de 80% dos baby boomers com casa própria para apenas 40% dos Millennials», acrescenta Bobby Duffy, diretor do Policy Institute da King’s College London.

Em declarações ao The Guardian, Bobby Duffy conta que esta mudança está a empurrar os jovens adultos para o mercado do arrendamento privado, que não é regulado no Reino Unido, além de ser muito caro e de não oferecer segurança.

«Temos de tornar o mercado de arrendamento mais estável e acessível, pois quando se juntam os custos de uma criança, a estagnação do ordenado e as medidas de austeridade, cria um colapso real na esperança de que o futuro seja melhor para os mais jovens do que para os seus pais», afirma.

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