Migrações: Grécia defende utilização de “canhões sonoros” contra imigrantes

O ministro das Migrações grego, Notis Mitarachi, defendeu hoje a utilização pelo seu país de “canhões sonoros” na fronteira com a Turquia, para dissuadir os migrantes, uma prática considerada “estranha e discutível” pela comissária europeia Ylva Johansson.

Segundo a polícia grega, dois canhões acústicos foram posicionados no sul e no norte do Evros, o rio que marca a fronteira entre a Grécia e a Turquia, via de entrada de muitos migrantes.

“Penso que é uma forma estranha de proteger as vossas fronteiras”, declarou a comissária europeia para os Assuntos Internos, Ylva Johansson, numa conferência de imprensa em Bruxelas, após um encontro com Mitarachi.

“Não é uma coisa que tenha sido financiada pela Comissão Europeia. E espero que esteja conforme com os direitos fundamentais, isso deve com certeza ser esclarecido”, declarou a responsável sueca, depois de o executivo europeu ter expressado, na semana passada, a sua preocupação.

Esta questão não foi, contudo, abordada na reunião com o ministro grego, que incidiu sobre a situação dos cerca de 10.000 requerentes de asilo que se encontram atualmente nas ilhas gregas e a construção de novos campos para os acolher.

Inquirido sobre os “canhões sonoros” nesta conferência de imprensa conjunta, Mitarachi escusou-se a abordar “questões operacionais que dizem respeito à política grega”.

“A nossa posição é utilizar as tecnologias de uma forma que não esteja em violação do direito internacional” para proteger as fronteiras gregas, declarou.

“Tudo o que fazemos deve ser eficaz e respeitando a regulamentação europeia”, prosseguiu, afirmando-se disposto a “fornecer informações sobre o aspeto técnico”.

A polícia grega adquiriu este equipamento ultramoderno após o afluxo de migrantes ocorrido em fevereiro de 2020, quando o Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, anunciou que deixaria passar os migrantes que queriam entrar na União Europeia.

Estes “canhões sonoros”, cujos perigos foram denunciados pelos defensores dos direitos humanos, podem emitir sons até 162 decibéis, quando uma conversa normal regista, em média, 60 decibéis e um avião a jato emite cerca de 120 decibéis, segundo a estação de televisão grega Skai.

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