Limitar ar condicionado e desligar assentos de sanita aquecidos: Japão quer reduzir consumo de energia ao mínimo indispensável

Os japoneses estão a enfrentar períodos de calor intenso que não costumam marcar esta época do ano. Junho costuma ser um mês de chuva no país asiático, mas, em vez disso, registou o período mais longo com temperaturas persistentes de 35 graus centígrados.

Como seria de esperar, as temperaturas altas levaram ao aumento exponencial da utilização de eletricidade para alimentar aparelhos de ar condicionado, colocando ainda mais pressão sobre as reservas de energia do Japão, que, segundo avança a ‘Fortune’, estão já perigosamente baixas. Isso deve-se também aos preços elevados dos combustíveis fósseis que servem para alimentar as centrais de produção elétrica, especialmente o carvão e o gás.

Ciente das dificuldades e para evitar apagões, o governo japonês declarou um período de três meses, a começar em julho, durante o qual a população deverá limitar ao mínimo indispensável o consumo de energia, algo que não acontecia há sete anos.

Numa conferência na última sexta-feira, a governadora de Tóquio, Yuriko Koike, aconselhou os cidadãos japoneses a manterem os aparelhos de ar condicionado nos 27 graus, e não procurarem temperaturas abaixo disso. “A maior parte das luzes no meu escritório estão desligadas”, assegurou a autarca, dizendo que a divisão onde trabalha “está às escuras”.

Por outro lado, também as autoridades governamentais apelaram à população para desligar, pelo menos até ao inverno, os sistemas elétricos que aquecem os assentos das sanitas, que, de acordo com o mesmo órgão de comunicação social, são presença assídua nas residências japonesas. O governo recomendou também que as famílias assistam à televisão num só dispositivo, em vez de em vários.

Para evitar apagões generalizados, o Japão definiu um mínimo de 3% para as reservas de energia do país, para conseguir dar resposta a picos de consumo, que, com as previsões a apontaram mais longos períodos de calor intenso, deverão tornar-se frequentes.

O Ministério da Economia, Comércio e Indústria prevê que, já durante este mês de julho, as reservas deverão atingir os 3,1% em três grandes áreas urbanas do Japão, um país cuja energia está dependente de importações em 90% e que ainda regista uma forte dependência de combustíveis fósseis. Apenas 18% da eletricidade é produzida com recurso a fontes renováveis.

O governo japonês também tem planos para reativar centrais elétricas a carvão, mas isso poderá cair por terra, considerando que o gás é hoje um bem em escassa medida nos mercados internacionais, fruto da guerra russa na Ucrânia, e que já levou muitos países europeus a procurarem fontes alternativas de produção elétrica, como o carvão.

Quanto ao setor empresarial, o Japão pede que a utilização de elevadores seja comedida e que sejam evitadas impressões desnecessárias, tudo em prol da poupança máxima de energia durante um verão que ainda agora começou.

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