Jogo de cartas UNO comemora 50 anos

Não é propriamente o melhor jogo para estreitar laços, até porque todos parecemos ter interpretações diferentes das suas regras, mas é seguramente um campeão de vendas em todo o mundo e um fenómeno de popularidade. O UNO faz 50 anos.

Detido pela Mattel desde 1992, este famoso jogo de cartas vende aproximadamente 17 cópias por minuto, de acordo com dados da própria marca. E, segundo conta o jornal El Pais, não teve um começo pacífico. Nasceu na mesa da cozinha da família Robbins, na cidade de Reading, no estado americano de Ohio, depois de muitas discussões em torno do Oito Maluco (Crazy Eights), um jogo com uma mecânica similar à do UNO, mas que se joga com um baralho de cartas comum. 

Segundo o site do Museu Nacional do Jogo dos Estados Unidos, o Oito Maluco tem inúmeras variantes, na velha lógica de “cada um joga como quer” e, precisamente por ter esse problema na sua família, Merle Robbins, barbeiro, começou a escrever em cada carta a sua função e a adicionar cartas com novos propósitos no jogo.

Aos poucos, o Oito Maluco da família Robbins transformou-se num jogo completamente novo que fazia sucesso onde quer que o levassem. Segundo contou o próprio Merle Robbins, que morreu em 1984, a um jornalista do The Cincinnati Enquirer em 1980, a sua família começou a perceber o potencial do jogo através do sucesso que ele fazia sempre que convidavam alguém para o jogar lá em casa. E acabou por ser um casal com quem costumavam jogar bridge – e que rapidamente se viciou no UNO – a motivar a família a comercializar o novo jogo.

A família investiu numa tiragem de 10.000 cópias, com as cartas originais desenhadas pelo ilustrador Bob Grove, conhecido por ser o criador do logótipo da equipa de basquetebol Cincinnati Royals, hoje os Sacramento Kings.

Para abater os custos, os Robbins imprimiram as cartas, as caixas e os folhetos de instruções em três gráficas diferentes. No final, empacotaram os 10.000 baralhos em casa e começaram a vender o jogo na barbearia de Merle em 1971, pelo preço de 3 dólares.

O barbeiro contou ao The Cincinnati Enquirer que o primeiro UNO foi vendido a Andrew Smith, um amigo da família com quem já costumavam jogar e que era dono de uma agência funerária. Foi ele o primeiro promotor do jogo, levando dezenas de baralhos a cada viagem de trabalho e ajudando a divulgar o UNO.

Assim, o jogo começou a popularizar-se fora da cidade de Reading, até chegar às maões do dono de uma outra funerária, Robert Tezak, que comprou o UNO à família Robbins, sob o pagamento de 50.000 dólares e 10 cêntimos de royalties por cada unidade já vendida. Produzir o jogo tinha custado à família 8.000 dólares, pelo que esta venda venda permitiu a Merle reformar-se depois de vender também a barbearia.

Por sua vez, em entrevista à agência UPI em 1992, Robert Tezak contou que quando comprou o UNO, não fazia a menor ideia de como funcionava o mercado dos jogos. Fundou a empresa Games Inc. para distribuir o UNO, e em 1980 já tinha vendido mais de 15 milhões de unidades – valores que chegaram a superar o Monopólio e o Scrabble. O sucesso foi tal que o UNO chegou a patrocinar carros da NASCAR nos Estados Unidos.

Foi em 1992 que o UNO chegou às mãos da Mattel, que comprou a Games Inc. e, com ela, todo o seu portefólio. Em 1996 o jogo já estava traduzido em 18 línguas, era vendido em mais de 30 países e já totalizava mais de 120 milhões de unidades vendidas. Foi a Mattel a responsável pelo lançamento de várias versões como a Deluxe, a Hearts e um jogo eletrónico.

Hoje existem mais de meia centena de versões do UNO. Algumas delas alteram as regras, enquanto outras introduzem novidades visuais ou temas específicos: como a versão dedicada aos Simpson, por exemplo. No ano passado foi lançada uma versão do UNO em braille. E este ano a Mattel planeia lançar uma edição comemorativa do 50º aniversário, com um redesenho das cartas e fundo negro e uma nova regra.





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