“Janela de oportunidade está a fechar-se”. Especialistas alertam que casos de varíola dos macacos podem superar os 27 mil em agosto

A secção europeia da Organização Mundial de Saúde (OMS) prevê que até ao dia 2 de agosto terão sido registados mais de 27 mil casos de varíola dos macacos em 88 países. Atualmente, o número é de 19.188 infeções confirmadas em 76 países, aponta autoridade de saúde pública dos Estados Unidos.

Cientistas consultados pela ‘Reuters’ contam que, apesar de ser difícil fazer previsões com maior alcance, tudo leva a crer que nos próximos meses, e até além disso, teremos a transmissão sustentada da varíola dos macacos.

Ecoando avisos já deixados por outros especialistas em epidemiologia, Anne Rimoin, Professora na Universidade da Califórnia e membro o painel de peritos da OMS, alerta que os países de todo o mundo devem procurar antecipar-se ao surto de varíola dos macacos e que “é claro que a janela de oportunidade para fazê-lo está a fechar-se”.

Recorde-se que, na semana passada, a varíola dos macacos foi classificada pela OMS como uma emergência global de saúde pública, apesar de, como conta o mesmo órgão de comunicação social, a maior parte dos especialistas se terem oposto à decisão que veio a ser tomada pelo Diretor-Geral Tedros Adhanom Ghebreyesus.

Por sua vez, Antoine Flahault, que lidera a comissão de especialistas da OMS/Europa, frisa que o vírus se está a propagar livremente, ao passo que o epidemiologista Jimmy Whitworth realça que o número de casos de varíola dos macacos continuará a crescer, pelo menos, durante os próximos seis meses. Esse especialista diz que o aumento exponencial do número de casos poderá ser travado e atingir um “planalto” através da vacinação dos grupos de maior risco.

De acordo com dados da OMS, a varíola dos macacos tem circulado há décadas, de forma endémica, em 13 países do continente africano: Camarões, República Centro Africana, República Democrática do Congo, Gabão, Gana, Costa do Marfim, Libéria, Nigéria, Congo, Serra Leoa, Sudão do Sul e Benim.

Contudo, a comunidade internacional não prestou atenção aos surtos de infeção nesses países, situação que se alterou em maio, quando começaram a ser detetados os primeiros casos nos países mais desenvolvidos, circulando pelas suas ruas e infetando as suas populações.

O grupo de investigadores liderado por Falhault desenha três cenários possíveis para os próximos meses de “transmissão sustentada” do vírus: um aponta que os contágios se limitem grandemente a grupos de homens que têm sexo com homens; outro cenário aponta que as infeções extravasam grupos sociais mais restritos e comecem a atingir populações mais vulneráveis, como crianças; e ainda outro prevê a transmissão entre humanos e animais.

Os cientistas alertam que à medida que a varíola dos macacos se vai transmitindo e tomando contacto com os sistemas imunitários dos humanos maior será a probabilidade de o vírus sofrer mutações e tornar-se cada vez mais contagioso.

Rimoin afirma que, enquanto em África já soam há muito os “alarmes” de saúde pública por causa da varíola dos macacos, os países onde o vírus não é endémico continuam a ignorar a gravidade da situação.

“Uma infeção em qualquer sítio é potencialmente uma infeção em todo o lado”, salienta esse especialista.

Esta semana, a OMS/Europa afirmou, através de mensagem publicada no Twitter, que “a região europeia representa mais de dois terços dos casos reportados de varíola dos macacos” e que o combate ao surto só poderá surtir resultados se governos, autoridades de saúde nacionais e comunidades de pessoas mais em risco trabalharem em conjunto.

O diretor da OMS/Europa, Hans Henri Kluge, que a vacinação contra a varíola dos macacos não será suficiente para travar o surto e que as pessoas das comunidades de maior risco “terão também de fazer a sua parte”.

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