Intranasal ou intramuscular? A sua próxima vacina contra a Covid poderá ser tomada pelo nariz

Há uma nova geração de vacinas contra a Covid-19 em desenvolvimento. A exigência mínima é que pelo menos igualem os níveis de eficácia dos fármacos já disponíveis, mas existem outras expetativas em relação às vacinas que as farmacêuticas estão agora a preparar.

Segundo o El Mundo, estão, hoje, aprovadas cerca de 20 vacinas por diferentes agências reguladoras – ainda que, por cá, apenas sejam administradas as soluções da Pfizer/BioNTech, Moderna, AstraZeneca e Janssen. Mas o cenário é outro quando se pensa no futuro: os dados mais recentes da Organização Mundial de Saúde (OMS) mostram que 126 vacinas contra a Covid-19 estão em fase de ensaios clínicos e que 194 encontram-se já em fase pré-clínica.

Mas o que muda nesta nova geração de vacinas? Em primeiro lugar, o tipo de tecnologia utilizada. De acordo com a mesma publicação, 36% dos fármacos em testes tem como base unidades de subproteínas, havendo ainda espaço para vacinas assentes em ADN, vírus inativos, partículas virais, vetores virais (replicativos e não replicativos) ou vírus vivos atenuados, entre outras opções.

Há novidades também em termos de administração. Em vez de só uma possibilidade, passam a existir cinco: injeções subcutâneas, intradérmicas, intramusculares, administração via oral ou por via intranasal. Esta última parece ser a mais popular, já que estão em desenvolvimento oito vacinas que poderão ser administradas através do nariz.

Contudo, apesar da popularidade, a administração intranasal é a menos utilizada atualmente a um nível geral. Olhando para a gripe sazonal, por exemplo, apenas uma vacina é administrada desta forma e só está aprovada nos Estados Unidos da América.

Jorge Carrillo, da Sociedade Espanhola de Imunologia, considera, ainda assim, que é um caminho que vale a pena explorar: «A administração intramuscular está a funcionar muito bem, pois a eficácia alcançada com as vacinas contra o SARS-CoV-2 é muito alta. Mas pela via intranasal poderia contribuir para gerar uma imunidade esterilizante que impediria novas infeções, embora seja algo difícil de conseguir e de manter no tempo.»

Outra das expetativas face às novas vacinas em desenvolvimento diz respeito à possibilidade de proteção em relação a outros patógenos. O El Mundo adianta que a tecnologia mRNA apresenta uma grande versatilidade e rapidez na produção de vacinas e que é provável que, no futuro, seja possível codificar proteções para diferentes patógenos.

No fundo, «uma só injeção geraria imunidade em relação a vários agentes infeciosos», explica José Luis del Pozo, diretor do Serviço de Doenças Infeciosas e do Serviço de Microbiologia da Clínica Universidad de Navarra. A ideia seria que a mesma vacina fosse útil para combater diferentes variantes da Covid-19, mas também a gripe sazonal, por exemplo.

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