Hotelaria com falta de mão-de-obra vai procurar trabalhadores em Cabo Verde e Filipinas

O presidente da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP), Raul Martins, prevê que os próximos meses ainda vão ser “muito difíceis”, apesar da retoma no turismo. Entre vários problemas, a falta de mão-de-obra no setor é um dos maiores constrangimentos, como explica em entrevista publicada hoje no jornal Público.

Apostar numa redução de preços é um erro que o setor da hotelaria não deve repetir, defendeu o líder da AHP e presidente do Altis Hotels. Mas questão dos recursos humanos é premente e o responsável adianta que a estratégia passa por “criar fluxos de importação de mão-de-obra com países específicos”, como Cabo Verde e Filipinas, ao mesmo tempo que aposta no reconhecimento da vacina chinesa contra a covid-19 para que se possam ‘importar’ trabalhadores brasileiros.

“O que estamos a tentar, e estamos em contacto com o Governo nesse sentido, é criar fluxos de importação de mão-de-obra com países específicos, desde logo com os que formam a CPLP [Comunidade dos Países de Língua Portuguesa]”, disse Raul Martins ao Público.

“No caso de Cabo Verde, onde há uma boa escola de hotelaria e turismo, as pessoas querem vir [trabalhar para Portugal]. Para saírem de lá precisam de uma autorização, e só lhes dão se tiverem emprego, e nós, Portugal, estamos a dizer que temos emprego para dar mas a situação a nível diplomático não está a funcionar. A operacionalizarão dessa situação não está a correr bem, e vamos falar com o senhor ministro dos Negócios Estrangeiros para lhe dizer que tem de ajudar”, afirmou.

Sobre a situação do Brasil, o representante do setor explica que havia “muitos brasileiros a trabalhar no turismo” e que houve uma redução “devido à inibição provocada pela vacina”.

“As vacinas aceites para as pessoas virem trabalhar são as aprovadas pela Europa, e a maioria dos brasileiros foi vacinada com a vacina chinesa, que não está aprovada [na UE], pelo que não podem vir. A Organização Mundial da Saúde reconhece a vacina chinesa e nós temos de fazer esforço diplomático para que a Europa reconheça essa vacina”, defendeu.

“Fora da CPLP, identificamos países de fácil integração, como é o caso das Filipinas. Porque são hispânicos, e de uma maioria católica, o que lhes dá uma facilidade de integração na nossa cultura, e estamos em contacto com o Ministério do Trabalho para se implementar essa circulação”, adianta ainda.

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