Homens predominavam nos telejornais do horário nobre em 2018 e 2019, revela a ERC

Os homens predominam como protagonistas, fontes de informação e comentadores/especialistas nos telejornais do horário nobre, conclui o relatório sobre “A Diversidade Sociocultural nos Media 2018-19” da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) hoje divulgado.

Este relatório resulta da análise dos telejornais de horário nobre (Telejornal, da RTP1, Jornal 2, da RTP2, Jornal da Noite, da SIC, Jornal das 8, da TVI, e CM Jornal 20H, da CMTV) e dos programas destinados à promoção da diversidade cultural e dos interesses de grupos minoritários nas grelhas da RTP1, RTP2, SIC e TVI em 2018 e 2019.

“A diversidade é analisada através de indicadores sobre a etnia/origem/migrações e religiões, na informação e na programação, géneros masculino e feminino na informação, e pessoas portadoras de deficiência na programação”, refere a ERC.

O equilíbrio da representação de homens e mulheres (diversidade de género) pelos telejornais de horário foi avaliado ao longo de 312 horas das 7.271 peças transmitidas.

“Os resultados indicam que os homens predominam como protagonistas, fontes de informação e comentadores/especialistas, entre 70% e 80% destas variáveis”, conclui o relatório.

“Os protagonistas do sexo masculino são, sobretudo, políticos, nacionais e estrangeiros, futebolistas e adeptos, líderes religiosos e membros de igrejas e confissões religiosas, numa proporção muito semelhante em todos os telejornais”, enquanto “as mulheres são as figuras principais de peças enquanto vítimas de crimes e acidentes e arguidas de casos de justiça, a par de secretárias-gerais e presidentes de partidos portugueses e europeus, sobretudo nos blocos da RTP2, TVI e CMTV”.

De acordo com o relatório, “as fontes de informação do sexo masculino são, sobretudo, responsáveis pelas áreas de saúde e ação social, agentes de segurança e bombeiros, e decisores da economia e negócios, mais na RTP2 e menos na TVI”.

As fontes femininas “surgem como vox-pop, vítimas, testemunhas e moradoras no local dos acontecimentos, familiares, figuras públicas/celebridades e crianças, e ainda utentes de serviços de saúde e ação social, público da cultura, consumidoras e emigrantes/descendentes, sobretudo na CMTV e menos na RTP2”, acrescenta.

Os comentadores e/ou especialistas são na sua maioria homens, “mas o relatório assinala que no Jornal2 e no CM Jornal 20H, mesmo mantendo o predomínio de interpretações masculinas, há mais presenças femininas”.

No Jornal das 8, da TVI, e no CM Jornal 20H existem “rubricas de opinião assinada por homens e mulheres, ou alternados em cada semana”.

O relatório acrescenta que “os temas mais frequentes são política nacional, europeia e internacional, ordem interna e sistema judicial, por ambos os sexos, e desporto, por comentadores e/ou especialistas homens”.

Dos telejornais analisados, a ERC identificou 11 horas de referências ou presenças de cidadãos de origem estrangeira e de refugiados ou membros da comunidade cigana, por ordem decrescente, nomeadamente localizados em Portugal e em contextos negativos (de vitimização, criminalização e crise migratória nas fronteiras).

“Esta situação verifica-se mais no CM Jornal 20H, da CMTV, e no Jornal2, da RTP2”, aponta, salientando que “as situações positivas e neutras (sucesso e integração) estão mais presentes nos blocos da SIC e TVI”.

Quando aqueles cidadãos são fontes de informação, “surgem sobretudo como vítimas, num terço das peças, mais no Jornal da Noite, da SIC, e no Telejornal, da RTP1, e menos no CM Jornal 20H, da CMTV”, conclui o relatório.

“Os cidadãos com origem estrangeira e da comunidade cigana aparecem nas vox pop e em resposta a questões acerca de assuntos nacionais e internacionais, nomeadamente no bloco da SIC e no Jornal das 8, da TVI”.

Em cada 10 peças, sete mencionam a nacionalidade, origem, cor e/ou situação documental de cidadãos, “mas em mais de 70% dessas sete peças a referência é pertinente para a compreensão do acontecimento”.

Aponta que o CM Jornal 20H é o noticiário “onde estas referências surgem com mais frequência e sem a devida contextualização”, acrescentando que neste telejornal e no da RTP2 “há divulgação de estereótipos sobre essas pessoas”.

Já os noticiários da TVI e da RTP1 analisados “são os que menos recorrem a expressões ou a associações promotoras dessas imagens negativas”.

Relativamente à diversidade religiosa, analisada através de 10 horas de peças, conclui-se que “o catolicismo preenche 71% das referências/presenças, sobretudo no território nacional e num contexto de celebrações, positivo ou neutro” e “o islamismo corresponde a 11% das peças, seguido pelo cristianismo (7%) e o judaísmo (4%)”, enquanto “as minorias religiosas correspondem a 1%”.

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