Há trabalhadores da TAP a serem despedidos por estarem doentes

A profunda crise em que a TAP está mergulhada desde que começou a pandemia por covid-19 está a conduzir a práticas laborais que poem em causa direitos fundamentais dos trabalhadores.

A situação foi denunciada por uma reportagem da TVI, que revela práticas que até podem colocar em causa a segurança dos passageiros.

A estação televisiva denuncia a situação grave de pilotos que optam por voar doentes, o que é ilegal dada a natureza das funções, colocando em risco a segurança de terceiros, mas muitos acabam por fazê-lo com medo de perderem o emprego.

Os trabalhadores, segundo a TVI, começaram a perceber que o número de baixas médicas está a ser um critério que acelera a saída para o desemprego. Até agora 206 pilotos aceitaram rescindir contrato e o plano de reestruturação prevê cortar ainda mais 35 postos de trabalho.

“Todos os pilotos estão nessas circunstâncias. Se estiverem doentes, ou voam doentes, ou arriscam-se a serem despedidos numa nova vaga de despedimentos”, disse um piloto à TVI, mantendo anonimato.

Um outro piloto apresentou mesmo queixa contra a TAP. “Temos vários exemplos de pessoas que foram apanhadas por terem tido uma constipação ou problema nos ouvidos e que foram penalizadas pelas baixas obrigatórias. Esta perseguição é ilegal”, disse Emanuel Carreiro à TVI.

Os prejuízos da TAP SA ascenderam a 1.230,3 milhões de euros em 2020, ano marcado pela pandemia de covid-19, um agravamento superior em 12 vezes às perdas de 95,6 milhões de 2019.

De acordo com um comunicado enviado em abril pela empresa à CMVM, “o resultado líquido do ano foi negativo em 1.230,3 milhões de euros”, um agravamento dos prejuízos de quase 1.300% face aos 95,6 milhões de euros de 2019.

A companhia aérea lembrou que, “tal como em todo o setor da aviação, a operação e resultados de 2020 foram severamente impactados pela quebra de atividade em resultado da pandemia de covid-19”.

Na TAP, o número de passageiros transportados caiu 72,7%, as receitas de passagens caíram 70,9% e o índice de ocupação ficou nos 64,6% (tinha sido de 80,1% em 2019), de acordo com o comunicado.

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