Há gás suficiente para o inverno? Europa arrisca-se a passar frio nos próximos meses

O inverno aproxima-se a passos largos, mas a Europa parece não estar preparada para garantir que todos os seus cidadãos não passam frio. As reservas de gás estão em baixo e a sua reposição não depende exclusivamente da vontade dos países.

De acordo com o El Economista, há dois grandes fatores que determinam o volume de gás disponível para os próximos meses, no continente europeu: por um lado, a aposta climática; por outro, a disponibilidade da Rússia.

No que ao ambiente diz respeito, o jornal espanhol lembra que o investimento dos governos e das empresas na redução das emissões de gases com efeito de estufa através da transição para energias limpas e renováveis faz com que a Europa – ainda dependente de combustíveis fósseis – esteja em risco de passar frio no inverno. É que os sistemas implementados, nomeadamente nas casas dos cidadãos, ainda não estão alinhados com todo este investimento em termos de produção.

Neste momento, as reservas de gás estão significativamente abaixo do que seria habitual para esta altura do ano e, embora se espere um aumento já este mês, os níveis registados não serão suficientes para evitar uma crise energética caso as temperaturas venham a ser muito baixas.

Questionando-se sobre se haverá gás suficiente para enfrentar o inverno na Europa, Massimo Di-Odoardo, vice-presidente do departamento de investigação da Wood Mackenzie, responde que «depende». Citado pela mesma publicação, o especialista sublinha o papel de destaque do ambiente – mais concretamente, das alterações climáticas – neste cenário.

«O fator chave que definirá se a oferta será suficiente para cobrir a procura é a dinâmica climática, não só na Europa mas também na Ásia e na Rússia», garante. Se o inverno for mais rigoroso no continente vizinho, é provável que a Europa não consiga ir buscar gás à Rússia.

Desigualdade

Outro problema apontado pelo El Economista prende-se com a eventual repartição desigual das reservas de gás na Europa. Enquanto Holanda, Alemanha, França e Itália têm grandes centros de armazenamento de gás, o resto da União Europeia depende do envio de gás por parte dos seus parceiros.

É por isso que países como Espanha estão a pedir a Bruxelas para que seja criada uma reserva estratégica de gás a nível europeu, que envolva também a compra conjunta para garantir preços mais atrativos – como aconteceu com as vacinas contra a Covid-19, por exemplo. No entanto, mesmo uma possível mudança deste tipo não terá efeito já este inverno, pelo que o problema iminente mantém-se.

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