EUA: O que irá Biden mudar nas relações económicas com a China?

Depois das sanções aplicadas a Pequim e a colocação das principais empresas chinesas na lista negra norte-americana por parte da atual Administração, será Joe Biden a determinar se deve restringir o acesso destas empresas ao mercado dos EUA.

Embora Biden não tenha sugerido que ações de Trump irá alterar nesta matéria, a maioria das posições mais duras em vigor contra a China recebeu apoio bipartidário no Congresso, como lembra a agência Bloomberg.

Kurt Campbell, indicado ontem para se tornar o coordenador na área do Indo-Pacífico por Biden, afirmou que, de início, será procurado um consenso com os aliados na China para depois cuidar de uma série de questões internas, de acordo com o South China Morning Post.

O futuro “Czar da Ásia” adiantou ainda que os dois países podem adotar medidas de fortalecimento da confiança como diminuir as restrições de visto e reabrir consulados fechados.

“É possível que as sanções sejam levantadas como parte de um acordo comercial que daria ao Presidente a cobertura política para aliviar as ações recentes”, disse Nicholas Turner, advogado da Steptoe & Johnson LLP em Hong Kong, ao Financial Times.

Mas a China também está a adotar medidas. O Ministério dos Negócios Estrangeiros de Pequim prometeu na sexta-feira proteger os direitos das empresas chinesas, com o porta-voz Zhao Lijian a acusar que as medidas de Trump foram resultado de “unilateralismo, padrões duplos e intimidação”, conforme refere a Bloomberg.

Nos últimos anos, a China aprimorou mecanismos para combater economicamente os EUA. Na semana passada, Pequim emitiu novas regras que permitiram aos tribunais chineses punir empresas estrangeiras – uma medida que teoricamente poderia forçar as empresas a escolher entre os EUA e a China.

O governo chinês também parece ter abandonado a esperança de que as relações com os EUA melhorem face à chegada de Biden, impulsionando há meses a autossuficiência em tecnologias-chave.

Agora, com Trump prestes a deixar o cargo na próxima semana, dezenas de empresas chinesas estratégicas encontram-se na mira dos EUA depois de um ano em que as relações arrefeceram à medida que a pandemia do coronavírus se instalou. A Bloomberg lembra que, além de fechar as portas à Huawei, atual líder global na aplicação do 5G, limitando os seus negócios de smartphones, a Administração Trump tomou uma ampla gama de ações para frustrar os esforços da China e dominar as indústrias de alta tecnologia que irão impulsionar o crescimento nas próximas décadas.

O perfil das empresas visadas, inclusive no último anúncio da Casa Branca na quinta-feira, é abrangente e inclui as principais empresas de toda a China.

A Boomberg lembra que a lista negra já inclui as três maiores empresas de telecomunicações da China, a sua maior fabricante de chips, as principais aplicações sociais, os dois maiores fabricantes de smartphones, o principal explorador de energia em águas profundas, o maior construtor aeroespacial, o principal fabricante de drones e até um fabricante de aviões comerciais.

Embora as retaliações sem precedentes de Trump tenham agitado os mercados, a avaliação completa do seu impacto depende em grande parte de Joe Biden. A próxima Administração terá o poder de manter as restrições em vigor, removê-las ou aumentá-las face a empresas como a Xiaomi, concorrente da Apple, atingida esta semana pelo ainda ocupante da Casa Branca por alegados laços militares com a China – alegação que a organização já negou, como indicou a Time.

“Biden não se pode dar ao luxo de parecer indulgente com a China, mas também não pode manter os embargos económicos a todos os setores chineses nos EUA. Será uma decisão difícil”, confessou Mark Natkin, diretor administrativo da Marbridge Consulting, uma empresa norte-americana que, tendo sede em Pequim, ajuda outras organizações a investir na China, citado pela Bloomberg.





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