EUA acusam China de genocídio do povo uígure

O Departamento de Estado, ainda coordenado pelo secretário de Estado, Mike Pompeo, acusou hoje Pequim de estar a cometer um crime de genocídio e crimes contra a humanidade. A acusação diz respeito à repressão em larga escala do povo uígure e outras minorias étnicas, principalmente muçulmanas, na região noroeste de Xinjiang, através do uso de campos de doutrinação ideológica e métodos de esterilização forçada, segundo um comunicado da Administração Trump, citado pelo New York Times (NYT).

Este é o último ato de Trump contra a China, antes da tomada de posse de Joe Biden amanhã, e é o culminar de um debate sobre como punir o que muitos especialistas consideram ser um dos piores abusos dos direitos humanos cometidos pelo Governo chinês.

“Estamos a assistir a um genocídio na China que pretende eliminar a minoria uígur”, afirma o comunicado do secretário de Estado, citado pelo NYT.

Durante décadas, a China teve mão pesada sobre as suas minorias étnicas de Xinjiang, que representam mais da metade da população de 25 milhões de pessoas desta região. Para Pequim, a sua religião islâmica, a língua e a cultura turca surgem como justificação para que sejam discriminados face à maioria han da China.

As tensões entre esta minoria e Pequim foram piorando desde 2009, quando alguns uígures mataram cerca de 200 han em Urumqi, a capital regional, após vários tumultos. Desde então, as autoridades chinesas iniciaram uma forte política de repressão dentro e fora da região de Xinjiang.

Desde 2017, os líderes de Xinjiang, pressionados pelo governo central da China, iniciaram algumas medidas destinadas a transformar os uígures, cazaques e outras minorias étnicas em apoiantes leais do Partido Comunista.

As autoridades chinesas enviaram centenas de milhares de uígures e cazaques (mais de um milhão, segundo algumas estimativas) para campos de doutrinação destinados a incutir lealdade ao Partido Comunista chinês e para terminar com os laços pessoais que cada membro tinha com o Islão.





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