“É a infraestrutura mais poluente do país”. Ativistas avançam com bloqueio da refinaria da Galp em Sines

O coletivo Climáximo promove hoje uma ação de desobediência civil e de bloqueio à refinaria da Galp em Sines, em Setúbal, para exigir o “encerramento planeado e gradual” da unidade até 2025.

O objetivo da ação é bloquear a refinaria, momento que está marcado para as 13h30. Como explica à Multinews o porta-voz do movimento, a refinaria de Sines “é a infrastrutura mais poluente neste momento em funcionamento em Portugal com emissão de gases de efeito de estufa.”

As reivindicações do grupo assentam em três pilares: reduzir emissões, uma transição justa para as pessoas que trabalham neste momento na refinaria de Sines e o avanço para a democracia energética.

“Já estávamos à espera que a COP26 fosse um falhanço, como foram as outras 25. Não tinhamos esperança que esta 26.ª tentativa corresse melhor do que as tentativas anteriores e, portanto, estamos a assumir a nossa responsabilidade enquanto movimento pela justiça climática”, afirma Diogo Silva.

No que diz respeito à redução de emissões, o grupo defende que haja um encerramento planeado das instalações que envolva os trabalhadores e a comunidade local até 2025, mas também que haja uma “transição justa que responsabilize a Galp pelos danos causados e também por essa transição”

O grupo apela a toda a população que se junte à ação de protesto e não tem para já uma previsão do número de pessoas que podem estar presentes. No entanto, o porta-voz adiantou que o grupo tem dois autocarros com capacidade para 100 pessoas cada um, que vão partir do Porto e de Lisboa, rumo a Sines, mas que, além destas pessoas, outras juntar-se-ão individualmente e deverão chegar pelos seus próprios meios ao protesto.

Na sequência das declarações do ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes, que acusou o movimento de justiça climática de ser “incapaz de conduzir uma transição que seja justa”, o coletivo Climáximo considerou que “é curioso ouvir um Ministro do Ambiente dizer que é profundamente negativo o desejo de que a liderança do processo de transição justa seja nas ruas, quando já vamos em 26 COP’s sem resultados, e vemos o que isso quer dizer em Portugal”, como disse Mariana Gomes, outra das porta-vozes da ação.

A ação, designada de “Vamos Juntas!”, faz parte da campanha global Collapse Total – que promete causar disrupção à Total Energies e empresas líderes na produção de combustíveis fósseis durante esta semana.

Carolina Falcato, outra das porta-vozes da ação explica que “torna-se claro com as nossas propostas quem é que tem soluções e quem é que só tem engodo para nos dar enquanto se deixa chantagear pela Galp, que teve o desplante de vir a público a semana passada exigir investimento público se quisermos ver algum tipo de justiça na transição”.

“Não vamos ficar à espera de promessas falsas para o corte necessário de 75% das emissões em Portugal até 2030, vamos assumir a nossa responsabilidade enquanto movimento, pela história que tem de ser construída para travar o colapso climático e apelamos a que muitas outras pessoas venham juntas connosco”, remata Carolina.
A Galp encerrou este ano a refinaria de Matosinhos, distrito do Porto, na sequência da decisão de concentrar as operações em Sines.

Em junho, a petrolífera anunciou ao mercado que pretende transformar gradualmente a refinaria de Sines “num centro de energia verde”, um projeto que será alavancado no acesso ao hidrogénio verde.

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