Dia Nacional da Igualdade Salarial: Mulheres ainda recebem menos 140 euros por mês do que os homens

No dia em que se assinala o Dia Nacional da Igualdade Salarial, a consultora Willis Towers Watson avalia o cenário atual português e europeu sobre as diferenças que ainda existem entre os rendimentos dos homens e das mulheres. Há uma evolução positiva, mas as assimetrias ainda são muitas.

“Se olharmos ao passado recente percebemos que Portugal tem dado passos na direção certa, ainda que, lentos. Desde 2016, que Portugal aderiu à nova data, que anteriormente era fixa e celebrada dia 6 de março. Se olharmos a esse ano e aos anos posteriores, podemos confirmar que estamos, lentamente, a caminhar para a igualdade”, refere Ana Amado, diretora da consultora.

Segundo a mesma responsável da Willist Towers Watson, “assumindo que a assimetria salarial entre os homens e as mulheres que exercem as mesmas funções é de, atualmente, cerca de 14%, significa que as mulheres recebem menos 14 cêntimos por hora, menos 140€ por mês e menos 1.680€ por ano, ou seja, a diferença remuneratória entre homens e mulheres corresponde a 49 dias de trabalho pago com vantagem para os homens”.

O Dia Nacional da Igualdade Salarial é uma data móvel que representa, teoricamente, o número de dias, até ao final do ano, a partir do qual as mulheres “deixam” de ser remuneradas, quando comparadas com o trabalho remunerado dos homens.

Além de, de um modo geral, em todas as faixas etárias, as mulheres enfrentarem um maior risco de pobreza, pois recebem salários inferiores, têm uma maior probabilidade de ter empregos precários e informais, sendo também fortemente afetadas no momento da reforma, segundo a avaliação da Willis Towers Watson.

Em 2019, as mulheres com mais de 65 anos na União Europeia (UE) recebiam uma reforma que era, em média, 29% inferior à dos homens, segundo dados do Eurostat. Efetivamente, ao longo dos anos, as desigualdades de género referentes às pensões têm vindo a diminuir na Europa e são agora quase 5% mais baixas em comparação com os dados de 2010, quando a reforma recebida pelos homens era 34% superior, ou seja, foi necessário praticamente uma década para reduzir o gap em 5%.

Como sublinha Ana Amado, “em Portugal, as mulheres recebem uma reforma que é aproximadamente 28,2% inferior à dos homens. Apesar de estarmos muito próximos da média da União Europeia (29%), as mulheres portuguesas, trabalham num percentual idêntico ao dos homens (49% vs 51%, respetivamente), têm carreiras contributivas tão longas quanto as dos homens e com pouquíssimas interrupções, nem um número significativo de part-times, enquanto que na Europa é comum as mulheres fazerem uma pausa na carreira após terem filhos e regressarem em part-time ao mercado de trabalho”.

Adicionalmente, existem vários países na Europa em que a idade normal de reforma é/era menor para as mulheres, concluindo-se assim que Portugal devia ter resultados muito acima da média europeia, o que não acontece.

Vejamos ainda um exemplo de duas pessoas: um homem e uma mulher, ambos com 35 anos, atualmente com um gap salarial de cerca de 7%, que se irão reformar ambos com aproximadamente 68 anos. O homem consegue uma progressão na carreira culminando num cargo de gestor, que como é natural se repercute nos seus aumentos salariais. Por isso, considere-se que a mulher tem um aumento salarial de 1% ao longo da sua carreira enquanto que ele 2,5%. De acordo com as regras da Segurança Social, na reforma o ‘gap’ da pensão seria de cerca de 23%.

Este tema é uma prioridade da Comissão Europeia, que definiu uma estratégia, a Estratégia para a Igualdade de Género 2020-2025, que a ser transposta para o nosso enquadramento jurídico alterará várias práticas de mercado, nomeadamente, a nível do recrutamento.

“A igualdade de género é um princípio fundamental da União Europeia, mas não é ainda uma realidade. Nas empresas, na política e na sociedade em geral, só poderemos concretizar plenamente o nosso potencial se utilizarmos todos os nossos talentos e diversidade. Utilizar apenas metade da população, metade das ideias ou metade da energia não é suficiente”, disse Ursula Von Der Leyen.

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