Covid-19: Vacinas adaptadas à variante Ómicron mostram “benefícios modestos”, diz Regulador de saúde dos EUA

A administração de mais uma vacina contra a Covid-19 aumenta a imunidade contra o coronavírus, que continua a evoluir e a produzir variantes à medida que o Inverno se aproxima, informa um estudo publicado esta terça-feira pelo Centro de Controlo e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC).

Esta nova inoculação é mais eficaz devido ao facto de ter sido pensada com o intuito de preparar o organismo para as diversas variantes do coronavírus, nomeadamente a Ómicron. Segundo o relatório apresentado com base nas primeiras estimativas baseadas em situações reais e não em experiências, a administração de mais uma dose da vacina aumenta os anticorpos presentes no sangue que se destinam à defesa do organismo na presença do vírus, relata o jornal The Washington Post.

Surgiu a necessidade de criar uma nova vacina depois de a variante Ómicron ter aparecido no Inverno passado ‘sem aviso prévio’, o que tornou as originais monovalentes do mRNA menos aptas para combater a infeção sintomática, sendo por isso necessário incorporar novas componentes, como a BA.4 e BA.5.

Apesar de novas vacinas bivalentes para proteger contra as diferentes variantes terem sido recomendadas pelas autoridades sanitárias em setembro, a campanha da administração do presidente dos Estados Unidos da América (EUA) Joe Biden para impulsionar os americanos antes de uma esperada onda de Inverno tem sido lenta. Segundo o CDC, apenas cerca de 11% das pessoas com mais de 5 anos receberam uma dose de reforço.

Os Estados Unidos gastaram quase 5 mil milhões de dólares para comprar 171 milhões de vacinas bivalentes à Pfizer e aos seus parceiros alemães BioNTech e Moderna de forma a oferecer à população um aumento na proteção contra infeções. 

“Este é um enorme volume de dados num curto período de tempo”, revelou a epidemiologista clínica da Brown Francesca Beaudoin ao frisar que o estudo mostra “que existe um benefício real, mas muito modesto para a vacina bivalente entre as pessoas que já foram vacinadas, que são saudáveis e que aparecem” para ser vacinadas.

Contudo, Beaudoin e outros especialistas defendem que o estudo em causa é “menosprezador”, dado que não se debruça sobre questões como a capacidade de proteção destas vacinas contra doenças graves. “Ainda estamos à espera de uma réstia de prova de que esta vacina bivalente ou qualquer bivalente é melhor do que a que tínhamos”, comentou o diretor do centro de ensino de vacinas e professor de pediatria na Divisão de Doenças Infeciosas do Hospital Infantil de Filadélfia Paul Offit.

A evolução do vírus é motivo de preocupação para os cientistas que tentam desenvolver uma vacina capaz de responder às mutações da Covid-19, observando-se uma evolução tão rápida que as variantes BA.4 e BA.5 deixaram de ser dominantes. “Devemos ser cautelosos e atentos ao que acontece quando tentamos perseguir estas variantes”, advertiu Paul Offit.

O estudo, que incluiu mais de 350 mil testes realizados em quase 10 mil farmácias, entre 14 de setembro e 11 de novembro, a adultos com sintomas, permitiu calcular a eficácia da vacina através do estudo da doença entre as pessoas vacinadas e não vacinadas. Como conclusão, os investigadores relatam que a vacina de reforço desenvolvida a pensar na proteção contra as variantes proporciona “uma proteção adicional significativa contra a infeção sintomática em pessoas que já tinham recebido pelo menos duas injeções”, relatando que o benefício das vacinas bivalentes aumentou desde a última vacina desenvolvida.

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