Covid-19: Marcelo nem quer ouvir falar em “crises políticas ou governos de salvação nacional”

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, alertou para a necessidade de manter a resistência em nome da esperança, deixando diversos avisos para que o controlo da pandemia se transforme em realidade.

“Temos de sair da primavera sem mais um verão e outono ameaçados – em vida, saúde, economia e sociedade. Temos de assegurar que a Páscoa, no início de abril, não será a causa de mais uns meses de regresso ao que vivemos nas últimas semanas. Temos, até à Páscoa, de descer para menos de dois mil os casos de infetados para que os internamentos e os cuidados intensivos desçam dos mais de cinco mil e dos mais de 800 para perto de um quarto desses valores e descer também para números europeus a propagação do vírus”, projetou.

“Temos de manter o estado de emergência e o confinamento, como os atuais, por mais 15 dias e apontar para seguir março fora pelo mesmo caminho, não dando sinais errados para a Páscoa”, avisou. “Temos de melhorar o rastreio com mais testes e, sobretudo, mais operacionais, sem esquecer o desafio constante da vacinação possível”, porque “sem essas peças-chave não haverá um desconfinamento bem sucedido”, aconselhou. “E ir estudando como, depois da Páscoa, evitar que qualquer abertura seja um novo intervalo entre duas vagas”, disse.

Fundamental é, além disso, “apoiar depressa os que na economia e na sociedade sofrem com este sacrifício” e tudo isto “sem crises políticas, nem governos de unidade ou salvação nacional. Já nos bastam a crise da saúde e a económica e social”.

No começo do discurso, o chefe de Estado lembrou os tempos recentes. “Foram duas semanas difíceis que começaram com números de infeções e de mortos dos piores da Europa e do mundo, uma pressão elevadíssima nas estruturas da saúde. Notícias pontuais de favoritismos nos desvios de vacinas. Sentimentos divididos quanto a apoios europeus e, em algumas vozes da opinião política, acenos a governos de salvação nacional. Foram dias pesados para todos, dramáticos para bastantes”, elencou.

“Os portugueses compreenderam que os apoios europeus eram simbólicos, não substituíam os heróis da saúde, mas mostravam que numa união ninguém deve esquecer ninguém”, afirmou. “Os portugueses compreenderam que há atrasos na produção e no fornecimento de vacinas, na Europa e em Portugal, e que isso ia impor, a partir de abril, vacinar mais e mais depressa para cumprirmos a meta avançada para setembro e também que os responsáveis pelos favoritismos no desvio de vacinas iam ser exemplarmente punidos”, acrescentou.

Marcelo considerou fulcral “sublinhar a essencial ajuda das nossas Forças Armadas, presentes desde março de 2020, ao pessoal da saúde e aos autarcas”, pois isso representa “um trunfo no processo de vacinação” e que “o bom senso já aconselhava que provocar nesta altura crises políticas, com cenários de governo à margem dos partidos, de resultado indesejável em tempo perdido em terceiras eleições no verão e nada de novo no horizonte, não servia para outra coisa senão agravar a pandemia”.

“Os portugueses, finalmente, compreenderam o mais importante: que o número de infetados por dia descia de mais de 15 ou 16 mil para entre dois e sete mil e o de mortos descia também e isso, a manter-se, podia dentro de um mês ou mês e meio reduzir a enorme pressão sobre as estruturas da saúde”, referiu.

Lembrando que esse é o mandato que cumpre até 8 de março e que “foi esse o mandato que recebi renovado para começar a 9 de março”, Marcelo reafirmou a intenção de “vencer as crises, mesmo as mais graves. Não provocar as crises, mesmo as mais sedutoras, e contar sempre, mas sempre, com os portugueses. Tudo sem crises políticas. Tudo sem cenários de governos de unidade ou salvação nacional. Não se conte comigo para dar o mínimo eco a cenários de crises políticas ou eleitorais”, sustentou.

Agradecendo “este confinamento global”, o Presidente terminou a “apelar a mais resistência no futuro próximo e dar-vos esperança. Vós, portugueses, sois, na verdade, a única razão de ser de termos orgulho em Portugal”.

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