Covid-19: Países ricos apressam-se a comprar medicamento da Merck e mais pobres podem ficar para trás (outra vez)

A pressa dos países ricos em comprar o medicamento antiviral desenvolvido pela farmacêutica Merck pode fazer com que os os países em desenvolvimento fiquem (mais uma vez) para trás na luta contra a Covid-19.

Como escreve a revista Forbes, as iniciativas de um pequeno grupo de países para comprar lotes do medicamento promissor, antes mesmo de ser aprovado oficialmente, estão a levantar preocupações de que algumas nações mais pobres possam ser deixadas para trás, numa história que o mundo já assistiu com os contratos de compra das vacinas.

Uma iniciativa global para distribuir o medicamento antiviral corre agora o risco de enfrentar os mesmos problemas que o programa Covax, preocupação levantada num relatório independente encomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

A Merck tomou uma série de medidas, incluindo o licenciamento do medicamento experimental para empresas de medicamentos genéricos, para garantir o acesso alargado. Ainda assim, e tendo em conta a situação vivida com as vacinas, alguns dos países mais ricos, como Austrália, Singapura, Malásia ou Tailândia seguiram o exemplo dos Estados Unidos e já compraram o molnupiravir ou iniciaram negociações para o adquirir.

“Acho que as preocupações são compreensíveis, mas colocámos em prática uma estratégia com os nossos parceiros de licenças voluntárias que serão capazes de responder à procura e levar de facto este medicamento aos doentes que precisam dele em todo o mundo”, afirmou Paul Schaper, responsável da Merck.

As autoridades de saúde esperam que a desilusão do programa Covax não se repita. O esforço foi prejudicado pela falta de abastecimento de vacinas depois de os países ricos terem acelerado processos para proteger as próprias populações, com alguns a dar início a doses de reforço.

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