Numa nota enviada às redações, o bastonário e o gabinete de crise da Ordem dos Médicos falam em “ausência de medidas robustas” perante a “situação emergente que se vive na Saúde em Portugal”, apelando a que sejam adotadas “sem reservas e com a maior brevidade um confinamento geral no mínimo semelhante” ao da primeira vaga de covid-19 no ano passado, pois vive-se uma situação de “medicina de catástrofe”.

O documento aponta recomendações como a de que as comunicações aos cidadãos sejam feitas “de forma transparente, coerente e objetiva, não omitindo a verdade, não tentando esconder a gravidade da situação, nem tentando encontrar bodes expiatórios para justificar a incapacidade de liderar o combate à pandemia”.

Por outro lado, reforçam a necessidade de “adotar sem reservas e com a maior brevidade um confinamento geral no mínimo semelhante ao que ocorreu em março/abril de 2020, aquando da primeira onda da pandemia, com uma situação muito menos severa”.

Além disso, é imperioso reforçar a “capacidade de resposta das equipas de saúde pública, com os meios necessários e profissionais de saúde competentes para desempenhar as tarefas de realizar inquéritos epidemiológicos válidos e em tempo útil, que permitam identificar rapidamente os contactos de alto risco e quebrar cadeias de transmissão da doença covid-19”.

Mas a Ordem dos Médicos propõe mais – por exemplo, que se incremente “de forma exponencial a capacidade de testagem de pessoas infetadas e seus contactos, através da utilização massiva de testes rápidos, para tentar recuperar o tempo já perdido na quebra de cadeias de transmissão e reforçar a capacidade de resposta da saúde pública”.

Além disso, faz falta “utilizar, de forma planeada e organizada, todos os recursos do sistema de saúde, para dar uma resposta integrada e consistente aos cidadãos e doentes covid-19 e não covid-19”.

A Ordem pretende que sejam libertados “os médicos de família do Trace-Covid (e contratar médicos para esta tarefa específica), para que a principal porta de acesso ao SNS possa estar aberta e não parcialmente encerrada”, mas também que sejam protegidas “verdadeiramente as pessoas mais frágeis, nomeadamente os nossos idosos que estão nos lares, contratando equipas específicas com formação adequada, para que possam ter acesso privilegiado a cuidados de saúde em segurança”.

É ainda sugerido que sejam auscultadas “de forma regular as instituições legalmente competentes, que conhecem o terreno onde o combate à pandemia acontece”, mas também a “revisão imediata do Plano Nacional de Vacinação Covid-19 e pedido de parecer urgente ao Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida (CNECV) sobre critérios de prioridade para vacinação Covid-19”.

E o comunicado conclui com novos alertas: “Os profissionais de saúde neste momento têm de tomar decisões complexas e muito difíceis em contexto de medicina de catástrofe e de estabelecimento de critérios de prioridade e não conseguem salvar todas as vidas. São eles que desesperam perante os limites do sofrimento e da compaixão, mercê da incapacidade de tratar o outro, e assim são vítimas de burnout e sofrimento ético. São eles que, além dos doentes, sofrem no terreno, e que aguentam a pressão brutal sobre o SNS”.