Covid-19: O que vai acontecer ao mundo em 2022?

A Covid-19 já matou entre 10,8 milhões e 20 milhões de pessoas em todo o mundo, de acordo com os cálculos da The Economist. Na maioria dos países ricos, as vacinas estão a conseguir travar o número de mortes associadas à infeção e as restrições têm vindo a ser aligeiradas. Mas em determinadas regiões, como é o caso de muitos países na Europa, as mortes estão a aumentar perante uma nova vaga de infeções. O que pode então o mundo esperar no próximo ano?

De acordo com as previsões do artigo da The Economist, um dado é certo: o vírus não será erradicado. Até hoje, apenas uma doença foi extinta na totalidade graças à vacinação: a varíola. No caso da Covid-19, a previsão é de que a imunidade global vai aumentar à medida que mais pessoas forem vacinadas ou contraírem a doença.

Cerca de 3,8 mil milhões de pessoas já receberam pelo menos uma dose da vacina e 2,8 mil milhões estão totalmente vacinadas. A somar a estas as pessoas que contraíram a doença, significa que cerca de metade da população mundial terá agora algum nível de imunidade. Ou seja, a Covid-19 caminha para o estado endémico. E o que quer isto dizer? Como explica o mesmo artigo da The Economist, o nível de transmissão vai permanecer numa taxa constante, seguindo padrões sazonais e com menos picos de infeção.

As consequências podem vir a situar-se ao nível da gripe, que mata cerca de 300 mil a 650 mil pessoas anualmente, e de outros coronavírus, como a constipação comum. Mas este estado endémico ainda está muito distante para a maioria dos países. As mortes na Europa de leste mostram os riscos associados a taxas de vacinação baixas.

Na melhor das hipóteses, a Covid-19 vai começar a seguir um pdrão sazonal semelhante ao da gripe a partir de 2025. Mas vai demorar décadas até a população conquistar uma imunidade global semelhante à das constipações vulgares.

Entretanto, as vacinas e novos tratamentos vão continuar a aliviar a pressão da doença. No segundo semestre de 2022, provavelmente haverá excesso de vacinas, de acordo com previsões da Airfinity, base de dados científicos, citada pela The Economist. Os países ricos vão estar sempre à frente, enquanto os países mais pobres vão continuar a lutar pelo acesso a vacinas.

Este padrão já se observa atualmente. Um excesso de vacinas significa que doses de reforço serão cada vez mais usadas e que mais crianças vão ser imunizadas, algumas a partir dos seis meses. As vacinas de tecnologia mRNA, como as da Pfizer e da Moderna, que estão a revelar-se mais eficazes contra a variante Delta que agora é dominante em todo o mundo, vão ser as mais escolhidas.

E os laboratórios preparam-se para desenvolver vacinas ainda mais inovadoras: a Moderna está a trabalhar numa vacina capaz de proteger contra várias estirpes do novo coronavírus e está a investigar a possibilidade de criação de uma vacina “pan-respiratória” que eventualmente poderá proteger em simultâneo contra a gripe e vários coronavírus.

Para as pessoas que ficarem doentes com Covid-19, existirão ainda dispiníveis medicamentos antivirais orais, em comprimidos, e substâncias que vão ajudar nos tratamentos já existentes, como o remdesivir, que é administrado em hospitais via intravenosa.

A maior disponibilidade de tratamentos para a Covid-19 vai melhorar a eficácia no combate à doença, travando ainda mais a ligação entre casos, internamentos e mortes. O molnupiravir , desenvolvido pelas farmacêuticas norte-americanas Merck, Sharp and Dohme (MSD) e Ridgeback Biotherapeutics, será o primeiro a chegar ao mercado com a previsão de 10 milhões de doses a estarem disponíveis até ao final de 2021.

Sobre esta perspetiva positiva de combate à doença está a sombra da capacidade de mutação do vírus. A Delta tornou-se a variante dominante porque é altamente transmissível. Superou totalmente a variante Beta, conhecida como inglesa. O maior risco no combate à pandemia em 2022 é o surgimento de uma nova variante que combine as piores características da Delta e da Beta. Mas o mundo deve ter esperança de que a Ciência forneça as ferramentas necessárias para não deixar que o novo coronavírus ganhe a corrida.

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