Covid-19: Estudo sobre carga viral mostra que certificado digital não substitui uso de máscara

As conclusões de um estudo norte-americano sobre infecções em pessoas vacinadas trazem novos desafios como a discussão da terceira dose e da validade do certificado digital, dizem especialistas portugueses.

Foi a pequena cidade norte-americana de Provincetown, no estado de Massachusetts, EUA, onde residem apenas cerca de três mil pessoas, que veio pôr em causa as medidas sobre as pessoas vacinadas.

O estudo da Universidade de Massachusetts, realizado com base numa experiências nesta localidade, concluiu que as pessoas vacinadas transmitem tanto o vírus quanto as não vacinadas.

A edição do Diário de Notícias ouviu especialistas portugueses sobre as conclusões desta investigação.

“Este dado vem mudar muita coisa, sobretudo o conceito de transmissibilidade. A vacinação é muito importante, mas antes pensava-se que a carga viral de um vacinado era reduzida, não permitindo a transmissão, mas, pelos vistos, não é assim. E isto vem lançar novos desafios”, diz o imunologista Manuel Santos Rosa e professor catedrático da Faculdade de Medicina de Coimbra.

De acordo com o DN, o professor alerta para os riscos de se percepcionar o certificado digital de vacinação é uma arma de combate à infecção: “O certificado de vacinação deveria ser um instrumento que nos dissesse que, neste momento, temos quase a certeza de que esta pessoa não está infetada e que não é transmissora do vírus. Ora bem, esta nova informação vem demonstrar que o que parecia ser um certificado de garantia, de que não havia riscos, não é. Aquilo que um certificado pode comprovar é que a pessoa vacinada está protegida e que, provavelmente, não irá desenvolver doença grave, mas no que toca ao conceito de transmissão penso que se deve repensar as estratégias de luta contra a infeção”, defende o médico.

E reassalva: “Neste momento, um teste negativo diz-nos mais do que o certificado sobre alguém que vai viajar, que está num restaurante, num espetáculo ou num evento familiar.

Também o bastonário dos médicos, Miguel Guimarães, diz que estas conclusões devem conduzir à discussão da importância do certificado digital e de uma terceira dose. “Esta informação vem colocar um novo desafio que terá implicações na estratégia que seguimos para controlar a infeção”, disse ao DN.

“A estratégia não terá de ser muito diferente da que seguimos, mas tem de fazer passar a mensagem que as regras de proteção individuais, como o uso de máscara, distanciamento físico e higienização das mãos, têm de continuar a ser cumpridas, mesmo pelas pessoas vacinadas. Isto é fundamental”, defende.

“O facto de se estar vacinado não pode fazer com que se deixe de cumprir integralmente as regras de proteção determinadas pela OMS e pela DGS”, considerou também Carlos Robalo Cordeiro, presidente da Sociedade Respiratória Europeia (ERS).

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