Covid-19: Especialistas consideram prematura “liberdade” no verão. E apontam dois cenários para os próximos meses

Cientistas e responsáveis pelas políticas de saúde pública em todo o mundo temem que a longa batalha contra o novo coronavírus esteja num momento delicado e perigoso. ‘O mundo precisa de ser confrontado com a realidade’, escreveu Maria Van Kerkhove, epidemiologista da Organização Mundial de Saúde.

Ao contrário do que apontavam as previsões para esta época do ano, o mundo está a assistir a uma escalada de novos casos de covid-19, em grande parte devido ao aparecimento de novas variantes, mesmo nos locais onde há aceleradas campanhas de vacinação em marcha. Mas a verdade, é que a maior parte do mundo permanece sem vacinação.

Nas últimas semanas, e revertendo as tendências promissoras do final da primavera, o aumento global de casos ocorreu quando as pessoas em grande parte do hemisfério norte começaram a avançar para um verão descontrolado, como se a pandemia tivesse acabado.

E isso afasta o fim à vista de uma pandemia que está a deixar as populações saturadas. “Estamos a afastar-nos mais do fim do que deveríamos. Estamos globalmente numa péssima posição”, disse Van Kerkhove durante um discurso da OMS em Genebra.

Nos Estados Unidos, por exemplo, o diretor do National Institutes of Health, diz não estar surpreendido com o aumento de infecções no país, onde muitas pessoas não foram vacinadas e regressaram aos comportamentos pré-pandémicos, como escreve o ‘Washington Post’.

Sobre o relaxamento total das regras no verão, Collins considera: “É como se tivéssemos visto este filme várias vezes no último ano e meio, e nunca termina bem. De certa forma, estamos a ver o mesmo filme outra vez. Tudo é previsível.”

A liberdade total no verão é, por isso, considerada prematura e há dois cenários possíveis, segundo os especialistas ouvidos pelo ‘Washington Post’, para a evolução dos próximos meses:

Cenário A

Para pessoas imunizadas, a covid-19 pode tornar-se mais parecida com uma gripe ou mesmo uma constipação. Aliás, circulam no mundo quatro outros coronavírus que são endémicos e responsáveis por uma fatia significativa de constipações.

Este cenário tem sido a suposição geral ou esperança de muitos especialistas em doenças infecciosas desde o início da pandemia. A redução da letalidade da doença seria um exemplo de repetição da história: A pandemia de gripe de 1918 foi causada por um vírus que nunca desapareceu, sendo hoje a gripe sazonal que conhecemos.

Com o passar do tempo, mais pessoas terão imunidade de uma infecção natural anterior ou da vacinação, e o SARS-CoV-2 será menos perigosa para estas do que para pessoas não vacinadas ou nunca infectadas anteriormente.

“No Cenário A, a pandemia como a conhecemos chega ao fim. “Isto não quer dizer que não ficaremos infectado novamente, mas não ficaremos doentes”, explicou.

Cenário B

O cenário B é mais assustador. “A Delta passa para épsilon, que passa para lambda, e torna-se outro vírus horrível… O vírus sofre uma mutação para uma estirpe contra a qual não fomos vacinados de forma eficaz – e isso nos leva-nos a mais um ano terrível”, diretor de saúde da Association of American Medical Colleges, Janis Orlowski.

A variante Delta tem mutações que aumentam significativamente a transmissibilidade e é responsável pela maioria das novas infecções no mundo, pois supera as restantes variantes. As mutações no vírus são inevitáveis e complicam as previsões de como a pandemia se vai desenrolar. O mundo está no meio de uma experiência global na qual um único vírus está a transformar-se num alfabeto grego completo de variantes diferentes, cada uma com o seu próprio conjunto de mutações, como explicou o especialista ao jornal-norte-americano.

As variantes “estão a evoluir. Mesmo na variante Delta, temos duas mutações sob monotorização”, explicou Van Kerkhove. “Estão todos concentrados na Delta, mas devemos estar preparados para mais.”

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