Covid-19: As estratégias para travar o avanço da Ómicron, segundo especialistas

O mundo está em alerta com o aparecimento da nova variante de Covid-19 –  Ómicron – e, apesar dos apelos à serenidade das populações, as autoridades estão a adotar várias medidas. Mas farão sentido? A National Geographic ouviu a opinião de especialistas em epidemiologia e saúde pública.

Proibir ligações aéreas tem alguma utilidade?

De acordo com o Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC), a limitação de voos poderia retardar o impacto da nova variante em duas semanas, mas não evitá-lo . Com base nesses dados, o epidemiologista da Universidade de Alcalá, em Espanha, Pedro Gullón critica as medidas que limitam a circulação de aviões: “Não sabemos até que ponto a Ómicron já está difundida nos países vizinhos nem quais são suas características de transmissibilidade. Portanto, a proibição de voos provavelmente terá uma eficácia muito limitada a travar a entrada da Ómicron. ”

A mesma opinião é partilhada por Ignacio Rosell , especialista em medicina preventiva e saúde pública: “O cancelamento de viagens, visto que a variante já circula por países que não foram submetidos às mesmas restrições, pode servir apenas para eventualmente deter a sua velocidade de entrada, mas não tanto para prevenir.”

“Impedir ou cancelar voos diretos com um determinado país, a menos que seja feito de forma unânime e uniforme pelos restantes países, e todos ao mesmo tempo, não parece ser a solução. E mesmo cumprir essa condição não é garantir a eficácia dessa medida ”, acrescenta ainda Oscar Zurriaga , vice-presidente da Sociedade Espanhola de Epidemiologia.

Então, o que se pode fazer?

Pedro Gullón propõe uma estratégia com quatro prioridades para controlar a Ómicron neste momento: “ Estudar as características da Ómicron (transmissibilidade, letalidade, potencial fuga imunológica), o que demorará três ou quatro semanas; sequência para saber a extensão da variante ; reduzir a transmissão da Covid-19 na comunidade , por ómicron ou não, e aumentar a vacinação global para reduzir a transmissão noutros territórios ”.

O estudo e o sequenciamento da ómicron é um trabalho crucial realizado por ‘detetives moleculares’ em todo o mundo. O reforço da vigilância genómica da variante e da sua distribuição “permitir-nos-á conhecer o real alcance em termos da sua transmissibilidade, da sua gravidade e da sua capacidade de fuga vacinal, para agirmos com as medidas mais adequadas”, defende Zurriaga.

Vacinar, vacinar, vacinar

Para reduzir a transmissão, os especialistas são unânimes: é urgente aumentar a vacinação, mas não só nos países ricos, mas em todo o planeta .

“O surgimento desta variante no continente africano, onde a cobertura vacinal é tão baixa, nada mais faz do que reforçar o argumento de que é necessário colaborar, de forma mais determinada, no aumento da vacinação em todos os países . Para isso, é necessário fornecer não apenas uma quantidade maior de doses, mas também os meios (logísticos, humanos e económicos) para que possam administrá-las”, continua Zurriaga.

“A melhor medida para impedir esta variante, e qualquer outra que possa surgir depois, é continuar a avançar na vacinação global, porque trata-se de uma pandemia”, disse Rosell.

Enquanto a comunidade científica estuda a nova variantem a ECDC defende que cada um de nós reforce os cuidados já conhecidos por todos como o distanciamento social, higiene das mãos e uso de máscara.

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