Como Putin transformou o abastecimento de gás numa arma política

Foi oficialmente inaugurado em setembro, mas desde que foi anunciado que gerou uma série de anticorpos. Trata-se do gasoduto submarino destinado a transportar gás da Rússia para a Alemanha, agora assumidamente uma arma no meio de uma crise política. Tanto Estados Unidos como Reino Unido e Ucrânia se manifestaram desde logo contra a sua construção, anunciada em 2015, por considerarem que aumentava em demasia a influência de Moscovo na Europa.

Agora, e embora ainda não esteja completamente operacional, o mesmo gasoduto está no cerne das preocupações dos países tradicionalmente aliados, receosos que, por vingança, Putin feche o abastecimento. Só a inquietação é já considerada, pelos peritos ouvidos pela CNN, uma vitória para o presidente russo, Vladimir Putin.

“Uma vez que o objetivo da Rússia é dividir para reinar, agora procuram quebrar a unidade da União Europeia e da NATO. E este gasoduto serve esse propósito na perfeição”, considera Kristine Berzina, do German Marshall Fund of the United States, um centro de investigação independente.

Durante anos, tanto Rússia como Alemanha argumentaram que se tratava apenas de um empreendimento comercial e nada teria a ver com política. Mas a verdade é que, na Europa Central e de Leste, onde os fornecimentos de gás da Rússia desempenham um papel essencial na produção de energia e aquecimento doméstico, poucos temas serão de facto mais políticos do que a segurança energética. E embora a Rússia tenha, até agora, negado utilizar a energia para exercer pressão sobre a Europa, há muito que a Agência Internacional de Energia apontava o dedo a Moscovo por contribuir para a crise dos preços europeus do gás.



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