Cientistas estão a investigar “super-vacina” para combater vários tipos de coronavírus

Um grupo de investigadores do Instituto Francis Crick, no Reino Unido, estão a estudar o desenvolvimento uma vacina para proteger contra “um número de diferentes coronavírus”, atuais e futuros, incluindo a gripe comum. Esta quinta-feira publicaram um estudo na revista científica ‘Science Translational Medicine’, divulgando resultados muitos promissores para a criação de uma eventual “super-vacina”.

“Uma vacina pan-coronavírus [que combata todos esses tipos de vírus] iria ativar anticorpos que reconhecem e neutralizam diversos coronavírus, impedindo o vírus de entrar nas células do hospedeiro e de se replicar”, explicam os cientistas.

A chave está numa proteína do SARS-COV-2, o coronavírus que despoletou o surto pandémico de Covid-19. Os especialistas acreditam que os anticorpos que reconhecem a secção S2 da proteína ‘spike’ podem também reconhecer e deter outros coronavírus, pois é essa secção que “permite que o vírus se funda com a membrana da célula hospedeira”.

Em testes laboratoriais, os cientistas conseguiram fazer com os anticorpos de ratinhos, após vacinação específica para a proteína ‘spike’, neutralizassem vários tipos de coronavírus, humanos e animais. Entre os vírus que foram combatidos com sucesso estão a variante original do SARS-CoV-2, bem como as outras variantes, como a Ómicron, e também o vírus que provoca a gripe comum.

Um dos cientistas envolvidos no projeto, Kevin Ng, afirma que descobriram que uma secção S2 da proteína ‘spike’ é muito semelhante entre vários coronavírus, pelo que ao alvejarem essa porção proteica podem abranger múltiplos agentes patogénicos dessa família viral com uma só vacina. Outro aspeto que destaca é que a S2 está muito menos sujeita a mutações do que a secção S1, pelo que “uma vacina direcionada a esse alvo deverá ser mais robusta”.

O líder do grupo de investigação, Geroge Kassiotis, explica que “a expectativa é que uma vacina que alveje a secção S2 possa oferecer alguma proteção contra todos os atuais, bem como futuros, coronavírus”.

Contudo, não se deve esperar que a vacina seja uma proteção absoluta. Nikhil Faulkner aponta que “embora uma potencial vacina S2 não impeça que as pessoas sejam infetadas, a ideia é que ela reforce o seu sistema imunitário para responder a uma futura infeção por coronavírus”.

“A esperança é que isso confira proteção suficiente para sobreviver a uma infeção inicial, durante a qual podem desenvolver mais imunidade específica para esse vírus em particular”, realça Faulkner.

Apesar dos avanços já conseguidos, Kassiotis reconhece que “ainda há muita investigação a ser feita” e que os cientistas estão a “procurar a forma mais apropriada para desenhar e testar a potencial vacina”.

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