Brexit: Irlanda do Norte em risco de perder acesso a milhares de medicamentos

Mais de dois mil medicamentos genéricos produzidos na Grã-Bretanha podem ser retirados do mercado da Irlanda do Norte como das regras do protocolo do Brexit, privando doentes de remédios fundamentais.

A British Generic Manufacturers Association (associação de fabricantes de génericos) alertou que as diferentes regulamentações pós-Brexit podem tornar o fornecimento de medicamentos muito caro e complexo, escreve a Bloomberg. Quatro em cada cinco medicamentos usados pelo Serviço Nacional de Saúde são genéricos.

Esta é mais uma questão sensível que necessita de solução enquanto o Reino Unido tenta renegociar com Bruxelas o protocolo da Irlanda do Norte, que faz parte do acordo do Brexit.

O Reino Unido e a União Europeia estão envolvidos numa série de negociações difíceis sobre como os produtos podem circular entre a Grã-Bretanha e a Irlanda do Norte desde a saída oficial britânica do bloco europeu.

Mark Samuels, diretor executivo da associação de fabricantes de medicamentos genéricos, disse que a indústria fornece grandes volumes de medicamentos a preços e margens baixas e não pode refazer toda a cadeia de fornecimento de um dia para o outro.

De acordo com o protocolo atual, os medicamentos fabricados na Grã-Bretanha e usados na Irlanda do Norte terão de ser licenciados separadamente e passar por verificações de segurança a partir de dezembro. Isto vai obrigar a armazenamento adicional mais caro, testes de laboratório e especialistas técnicos, explicou Samuels.

“Depois de meses a pediu um acordo estável entre o governo e a UE, as nossas empresas foram forçadas a notificar a retirada de alguns medicamentos da Irlanda do Norte”, referiu em comunicado. “Estas medidas foram tomadas com a maior relutância, mas os nossos membros estão a ser forçados a uma situação incomportável”.

As novas regras que entraram em vigor a 1 de janeiro, previstas no Protocolo da Irlanda do Norte do Acordo de Saída da UE, estão a afetar a circulação de mercadorias entre a ilha da Grã-Bretanha (onde estão a Inglaterra, Escócia e País de Gales) e a Irlanda do Norte, o que criou tensões entre Londres e Bruxelas.

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