Boris Johnson renuncia: cinco momentos que conduziram à queda do primeiro-ministro britânico

Há menos de três anos, Boris Johnson liderou os conservadores à sua maior vitória eleitoral desde 1987. Agora, o primeiro-ministro do Reino Unido perdeu o apoio dos seus deputados e já anunciou a renuncia, segundo o jornal britânico ‘BBC’. Mas, como se chegou a este ponto?

Caso Chris Pincher

Na passada 4ª feira, o deputado Chris Pincher, então vice-chefe do Partido Conservador, “bebeu demais” e “envergonhou-se” num clube privado de Londres – foi acusado de ter apalpado dois homens, um caso que levou a diversas acusações, algumas datadas de há anos, numa sucessão de eventos que conduziu à queda do primeiro-ministro.

Downing Street garantiu que Johnson não estava ciente de “alegações específicas” sobre Pincher antes de o nomear como vice-chefe em fevereiro. No entanto, a 4 de julho, a ‘BBC’ informou que o primeiro-ministro estava ciente de uma queixa formal. No dia seguinte, um ex-funcionário público (Lord McDonald) garantiu que Johnson tinha sido informado dessa queixa pessoalmente. O primeiro-ministro admitiu então que foi informado em 2019 e pediu desculpas por nomear Pincher como vice-chefe.

Partygate

Em abril deste ano, o primeiro-ministro foi multado por quebrar as regras da quarentena, depois de ter participado numa reunião por ocasião do seu aniversário, em junho de 2020. Também aqui pediu desculpa por ter ido à festa “traga a sua própria bebida”, nos jardins de Downing Street durante a primeira quarentena.

Mais tarde, a Polícia Metropolitana emitiu 126 multas a 83 pessoas por quebrar as regras em Downing Street e Whitehall. Um relatório de Sue Gray, uma funcionária pública sénior, descreveu uma série de eventos sociais de funcionários políticos que violaram as regras de bloqueio. “A liderança sénior do centro, tanto política quanto oficial, deve assumir a responsabilidade por essa cultura”, escreveu

Em dezembro último, Boris Johnson disse no Parlamento britânico que “no nº 10 foram seguidas todas as orientações completamente” – está agora a ser investigado por um comité para se determinar se conscientemente enganou o Parlamento.

Crise do custo de vida – e um aumento de impostos

A inflação subiu acentuadamente em 2022, para a taxa atual de 9,1%. Muitas das razões estavam fora do controlo de Boris Johnson. A invasão da Ucrânia pela Rússia, por exemplo, levou a aumentos nos preços do petróleo e no custo dos alimentos. E, embora o Governo tenha tomado algumas medidas – por exemplo, ao cortar o imposto sobre o combustível – também avançou com um aumento de impostos em abril.

“No meio da pior crise de custo de vida em décadas”, disse o líder trabalhista sir Keir Starmer em abril, “o Governo opta por aumentar os impostos sobre os trabalhadores”.

Owen Paterson

Em outubro de 2021, um comité da Câmara dos Comuns recomendou uma suspensão de 30 dias para o então deputado conservador Owen Paterson, por alegadamente ter quebrado as regras dos lobbies para tentar beneficiar empresas que lhe pagaram. Mas os conservadores, em particular o primeiro-ministro, votaram para interromper a sua suspensão e criaram um novo comité para analisar como tinham sido realizadas as investigações.

Após diversos protestos, Paterson acabou mesmo por renunciar e, mais tarde, Boris Johnson admitiu ‘ter-se espalhado ao comprido’ na forma como lidou com o caso.

Falta de foco… ou e ideias

Boris Johnson ganhou a sua maioria esmagadora devido a uma política clara e fácil de seguir – concluir o Brexit. Mas, desde então, segundo os seus críticos, faltaram foco e ideias em Domning Street. Dominic Cummings, antigo assessor e agora crítico de Johnson, repetidamente fez acusações de que o primeiro-ministro era um carrinho de compras fora de controlo, mudando de posição constantemente.

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