Bombardeiros nucleares dos EUA sobrevoam Médio Oriente em demonstração de força. Tensões entre Washington e Teerão intensificam-se

As Forças Armadas dos Estados Unidos revelaram esta segunda-feira que enviaram dois bombardeiros B-52, com capacidade nuclear, para sobrevoarem territórios no Médio Oriente, no que consideram um exercício de demonstração de força, considerando as tensões crescentes entre Washington e o Irão.

Relata a ‘AP News’ que os dois bombardeiros deixaram a base área de Fairford, no Reino Unido, e sobrevoaram o leste do Mar Mediterrâneo, a Península Arábica e o Mar Vermelho, no âmbito de exercícios militares que contaram com a participação de aeronaves do Kuwait e da Arábia Saudita. Também as forças israelitas terão estado presentes nos exercícios, embora não tenha sido confirmado oficialmente por Washington.

Israel, por sua vez, afirmou que três jatos F-16 juntaram-se à missão aérea multinacional, tendo acompanhado os bombardeiros norte-americanos “ao longo dos céus de Israel, em direção ao Golfo Pérsico”.

O General Alexus Grynkewich, o oficial da Força Aérea norte-americana mais graduado no Médio Oriente, afirma que “as ameaças aos Estados Unidos e aos nossos parceiros não ficarão sem resposta”, salientando que “missões como esta demonstram a nossa capacidade para combinar forças para dissuadir e, se necessário, derrotar os nossos adversários”.

Apesar da ausência de referências diretas ao Irão, já por várias vezes os EUA têm enviado aviões de combate para a região do Médio Oriente.

As tensões entre os EUA e o Irão tem vindo a agudizar-se, especialmente devido ao envolvimento dos dois países na guerra na Síria. Ainda em agosto, Washington lançou ataques aéreos sobre o leste sírio, onde estariam milícias apoiadas pela Guarda Revolucionária Iraniana.

Além disso, os dois países têm também estado em lados opostos da barricada no que toca às aspirações nucleares do Irão. Em Viena, na Áustria, delegações dos EUA e do Irão tentam reavivar o acordo nuclear de 2015, para estabelecer limites duros ao desenvolvimento das capacidades de produção de armas nucleares desse país do Médio Oriente, e do qual o EUA se retiraram durante a presidência de Donald Trump.

Contudo, não têm sido conseguidos quaisquer avanços dignos de nota nas negociações, com Washington a acusar Teerão de não estar disposto a fazer concessões.

Sem os constrangimentos do acordo, o Irão tem vindo a enriquecer urânio, embora o governo sempre tenha garantido que não tenciona fabricar armas nucleares. Contudo, especialistas apontam que o país tem já urânio enriquecido suficiente para criar pelo menos uma bomba nuclear.

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