Aumento do preço das casas na Europa faz temer nova bolha imobiliária. Portugal não é exceção

Muitas das cidades europeias estão a assistir a uma subida dos preços das casas, impulsionada pelas baixas taxas de juro, pela escassez de terrenos e construções que não conseguem acompanhar o ritmo da procura. Portugal não é exceção, com a maior parte do território a registar uma subida generalizada.

Na Suécia, por exemplo, o governo prevê fechar o aeroporto de Bromma, no extremo oeste de Estocolmo, e usá-lo para construir cerca de 30 mil novas casas, ajudando a diminuir a escassez de moradias que elevou os preços na capital, avança a Reuters.

E não é caso único. No antigo aeroporto Tegel, de Berlim, fechado em novembro do ano passado, as autoridades planeiam construir mais de cinco mil apartamentos. O mesmo poderá ser feito no antigo aeroporto de Tempelhof, no coração da cidade, onde planeiam construir casas sociais.

“A médio prazo, precisamos de cerca de 200 mil apartamentos adicionais”, referiu à Reuters o senador Sebastian Scheel, que detém a pasta da Habitação de Berlim, acrescentando que metade desses apartamentos devem ser construídos pelo setor público e subsidiados de acordo com as regras de habitação social.

Apesar dos efeitos da pandemia nas economias da Europa, levando a comparações com a crise financeira de 2008, os aumentos dos preços dos imóveis aceleraram no ano passado, também pelas medidas de incentivo fiscal e monetário sem precedentes, para salvar as economias.

No Reino Unido, por exemplo, o orçamento de março do ministro das Finanças britânico, Rishi Sunak, previu um corte temporário no imposto sobre a compra de propriedades e um incentivo para a compra de primeira casa. Os preços das casas britânicas registraram, em abril, o maior aumento mensal do preço das casas em mais de 17 anos.

“O que esperávamos ver era praticamente o mesmo de 2008, que os preços cairiam”, disse à Reuters Kate Everett-Allan, da consultora imobiliária Knight Frank. “Não tínhamos ideia até que ponto os governos apoiariam o mercado”, como se veio a confirmar.

Estocolmo, Luxemburgo, Moscovo e Bratislava registaram subidas de dois dígitos nos últimos 12 meses, embora num pequeno número de cidades, como Madrid, os preços tenham caído.

Portugal está entre os países que registaram também números recordes. De acordo com dados de abril do INE, entre outubro de dezembro de 2020, os preços dos imóveis para habitação subiram 8,6% face ao quarto trimestre de 2019.

De acordo com o banco suíço UBS, as cidades de Munique, Frankfurt, Amsterdão, Paris e Zurique estão já em risco de bolha imobiliária.

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