Ativistas pelos direitos das mulheres pedem boicote ao Rali Dakar

Os apoiantes de Loujain al-Hathloul, presa desde o passado mês de dezembro e ativista pelos direitos das mulheres, pediram um boicote ao Rali Dakar, iniciativa que classificam como “instrumento de hipocrisia do regime”, segundo refere o diário The Guardian.

Na sequência deste pedido, os pilotos de uma prova em que competem não só homens, mas ainda 12 mulheres, devem passar esta semana a poucas centenas de metros da prisão Al-Ha’ir de Riade, onde Hathloul está detida.

“É absolutamente grotesco que, ao mesmo tempo, as autoridades sauditas recebam um evento de desporto motorizado em que participam mulheres livres de qualquer impedimento, enquanto as heroínas que conquistaram o seu direito a conduzir definham na prisão”, disse Lucy Rae, porta-voz do Grant Liberty, um órgão de defesa dos direitos humanos.

“ As ativistas dos direitos das mulheres suportaram anos de prisão, tortura psicológica e física e abuso sexual por fazerem campanha pelo direito de conduzir. Muitas permanecem na prisão até hoje ”, acrescentou Lucy Rae.

Hathloul, que foi o rosto da conquista do direito feminino a conduzir na Arábia Saudita, foi sequestrada e detida em 2018, tendo sido presa no passado mês de dezembro. Depois foi condenada a cinco anos e oito meses de prisão após ser considerada culpada por crime de espionagem e conspiração contra o reino.

O Rali Paris-Dakar, organizado pela Amaury Sport Organization, mudou-se para a América do Sul em 2008 após ameaças de terrorismo na África Ocidental. A Arábia Saudita tornou-se a anfitriã no ano passado como parte da estratégia multifacetada do reino de abertura ao mundo ocidental e com o intuito de não ficar refém das receitas geradas pela venda do petróleo até 2030.



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