Atenção aos utensílios que usa na cozinha: Estudo descobre químicos persistentes que podem quadruplicar risco de cancro de fígado

Um grupo de cientistas de centros de investigação nos Estados Unidos revelou que a exposição a químicos sintéticos usados, por exemplo, em pratos e em panelas anti-aderentes pode aumentar em mais de quatro vezes a probabilidade do desenvolvimento de cancro do fígado.

As conclusões são apresentadas num novo estudo publicado esta segunda-feira na revista ‘JHEP’ e indicam que os PFAS, um tipo específico do que chamam de “poluentes orgânicos persistentes”, são uma das principais causas do desenvolvimento de fígado gordo e de carcinoma das células hepáticas. Estes químicos são usados frequentemente para impermeabilizar variados utensílios, como panelas anti-aderentes, que certamente estão hoje presentes nas nossas cozinhas.

Os PFAS são “químicos persistentes e ubíquos que têm sido usados em indústrias e produtos de consumo há mais de 60 anos”, elucidam os especialistas.

Os resultados da investigação mostram que indivíduos que tiveram uma maior exposição a essas substâncias tóxicas registaram um aumento de 4,5 vezes do risco de serem diagnosticados com cancro hepático, comparativamente àqueles que estiveram menos expostos a esses produtos.

Já estudos anteriores tinham estabelecido essa ligação em animais, mas este é o primeiro que associa a exposição aos poluentes ao desenvolvimento de cancro do fígado em seres humanos.

Jesse Goodrich, principal autor do estudo e investigador na Universidade do Sul da Califórnia, explica que o cancro é um dos mais sérios resultados da doença hepática e que este é o primeiro estudo em humanos a demonstrar cientificamente que existe uma ligação entre a exposição prolongada a esses químicos sintéticos e ao diagnóstico de cancro hepático.

Os investigadores acreditam que muitas pessoas possam já estar a ser afetadas por problemas de saúde derivados pelo contacto e ingestão destes poluentes comuns em muitas casas, que devido ao longo tempo que demoram para se degradarem no ambiente e no organismo são conhecidos como “químicos persistentes”.

As previsões mais negras apontam que uma em cada três pessoas possam desenvolver problemas de fígado devido à ingestão desses químicos até 2030.

O estudo descobriu que as pessoas que acabaram por desenvolver cancro hepático tinham presentes no seu sangue vários tipos de químicos, que ficam alojados no fígado, que atua com um grande filtro nos organismos vivos.

Os cientistas apontam que o cancro do fígado foi o sexto tipo de cancro mais comum em 2020 em todo o mundo, e a terceira causa de morte por cancro no mesmo ano.

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