Apesar das tréguas no calor este ano, aquecimento global põe em causa peregrinação anual a Meca

As ondas de calor num dos países mais quentes do mundo deram tréguas este ano durante a segunda peregrinação à cidade de Meca, na Arábia Saudita, do período pós-pandemia.

A Arábia Saudita prevê que as temperaturas devam chegar aos 44 graus em Meca, a cidade mais sagrada para os muçulmanos e que atrai fiéis de todo o mundo anualmente, escreve a Bloomberg.

Porém, a Arábia Saudita está a limitar o acesso aos locais sagrados a apenas 60 mil cidadãos e residentes que foram vacinados e que não têm qualquer condição de saúde crónica, no contexto pandémico que o mundo vive.

Ghalia Almutairi, residente de 42 anos de Riade e que vai poder estar na peregrinação, não estranha as temperaturas elevadas, já que são semelhantes às da sua cidade. “Estou muito feliz por ter sido selecionada este ano”, disse à Bloomberg. “Preocupava-me só conseguir vir daqui a uns anos e o tempo ser ainda mais quente.”

Aquecimento global ameaça peregrinação

O clima desértico quente da cidade de Meca, onde praticamente não chove no verão, deve ficar ainda mais extremo nos próximos anos, à medida que o planeta sofre um fenómeno de aquecimento global.

A temperatura mais alta registada durante a peregrinação nos últimos cinco anos foi de 50 graus em 2018.

A participação na peregrinação Hajj, que é obrigatória para todos os muçulmanos adultos fisicamente saudáveis pelo menos uma vez na vida, terá novamente este ano restrições para limitar o risco de contágio do coronavírus.

Mas o calor extremo continuará a ser um risco sempre que for época de peregrinação.

Os cientistas defendem que as alterações climáticas trazem um risco crescente de agravamento do calor e da humidade nas regiões da Arábia Saudita por onde passa a peregrinação.

Em maio, uma onda de calor na península arábica trouxe temperaturas próximas dos 50 graus na Arábia Saudita, Omã, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Iraque e sul do Irão.

Embora estes países estejam acostumados a temperaturas elevadas durante os meses de pico do verão, este nível de calor é invulgar antes de junho.

As regiões do Médio Oriente e do Norte da África vão passar cada vez mais por ondas de calor extremas e ultra-extremas sem precedentes durante a segunda metade deste século, de acordo com um artigo científico publicado na Nature em março.

São ondas de calor que podem atingir temperaturas de 56 graus ou mais durante várias semanas. Cerca de metade dos habitantes destas regiões, ou seja cerca de 600 milhões de pessoas, podem ficar expostas a estas condições extremas nas próximas décadas.

Por sua vez, o calor extremo também acarreta mais emissões para a atmosfera. Há “consumo excessivo de eletricidade por causa dos ares condicionados”, explicou o CEO da consultora de energia Cmarkits, Yousef Alshammari, à Bloomberg. “O uso de energia renovável, principalmente solar, será essencial.”

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