Nações Unidas alertam para uma adaptação “muito lenta” dos países às alterações climáticas

Um novo relatório da organização internacional diz que não estão a ser feitos os investimentos suficientes para lidar com os efeitos das condições extremas do clima e que os governos estão a falhar nas medidas necessárias para se adaptarem ao respetivo impacte.

Quase três quartos dos países de todo o mundo já reconheceram a necessidade de um plano para lidar com os efeitos do aquecimento global, mas poucos desses planos são adequados para combater a ameaça crescente, dizem as Nações Unidas. Além disso, a organização diz que os investimentos são escassos. Todos estes alertas foram divulgados esta quinta-feira no relatório do programa de adaptação ambiental das Nações Unidas relativo ao ano de 2020.

O ano passado foi o mais quente desde que existe registo, com uma onda de calor na Sibéria, incêndios devastadores na Austrália e Estados Unidos, uma temprada de furacões destrutiva no Atlântico a várias tempestades em muitas regiões da Ásia. No entanto, dizem as Nações Unidas, as despesas com medidas de adaptação ao clima extremo ficaram longe do requerido. Só cerca de 30 mil milhões de dólares americanos anuais são destinados a desenvolver ajuda aos países mais pobres que lidam com os efeitos da crise climática – menos de metade dos 70 mil milhões que a ONU considera necessários. Além disso, estes custos irão aumentar, devendo situar-se entre os 140 e os 300 mil milhões de dólares no final desta década.

António Guterres, secretário-geral da organização, afirma que cerca de metade das despesas relacionadas com o clima deveria destinar-se à adaptação, e o resto, à redução das emissões de gases de estufa. No entanto, mesmo que muitas empresas estejam a investir em reduzir as emissões através de energias renováveis em economias emergentes, os projetos de adaptação aos impactos do clima estão a ter mais dificuldades em financiar-se.

As Nações Unidas acrescentam que muitos países vão ter dificuldades em encontrar recursos para a adaptação climática devido à pandemia. O impacto económico da covid-19 está a afundar a adaptação climática nas prioridades da agenda política em todo o mundo, e com as consequências a pressionarem as finanças públicas dos países, é possível que haja mudanças não desejadas. 

Uma das ideias da ONU é que os países dêem prioridade a uma recuperação amiga do ambiente nos seus pacotes de estímulos de combate à covid-19, o que poderia ajudar a resolver muitos problemas. Estudos económicos mostraram que as medidas para aumentar a resistência aos impactos da crise climática – como plantar árvores, construir barragens, recuperar paisagens naturais e atualizar plataformas de transporte e redes de comunicações – podem ainda gerar empregos para levantar a economia da recessão.



Notícias relacionadas
Comentários
Loading...