Extinção em massa e disrupção climática: Especialistas alertam para um futuro “medonho”

Um novo relatório elaborado por 17 especialistas de topo em matérias ambientais afirma que o mundo não está a conseguir conter as ameaças da perda de biodiversidade e da crise climática. O documento fala de “um futuro medonho de extinção em massa, declínio da saúde e disrupção climática” que ameaça a sobrevivência humana devido à ignorância e à inação. O grupo de especialistas inclui académicos e cientistas britânicos, mexicanos, australianos e americanos que afirmam que o planeta está muito pior do que a generalidade das pessoas – e até alguns cientistas – pensam.

“A escala das ameaças à biosfera e todas as suas formas de vida – incluindo a humana – é tão grande que é difícil de compreender até para os especialistas mais bem informados”, pode ler-se no relatório publicado na Frontiers in Conservation Science, com referência a mais de 150 estudos sobre os maiores desafios ambientais do mundo.

O atraso que existe entre a destruição do mundo natural e os impactos das ações mostra que as pessoas não reconhecem quão vasto o problema é, escrevem os especialistas. São ainda feitos diversos alertas sobre as migrações em massa de várias espécies, induzidas pelas alterações climáticas, o surgimento de mais pandemias e os conflitos em torno dos recursos, tudo problemas “inevitáveis, a menos que haja alguma ação urgente”.

O texto refere ainda que “isto não é um apelo a que nos rendamos – o que queremos é dar um “banho de água fria” aos líderes mundiais sobre o estado do planeta, essencial para evitar um futuro horrível”.

Para lidar com a imensidão do problema, é necessário proceder a mudanças no capitalismo global, na educação e na igualdade, dizem os especialistas. Estas mudanças incluem abolir a ideia de crescimento económico perpétuo, orçamentar devidamente as externalidades ambientais, travar a utilização de combustíveis fósseis, controlar os lobbies corporativos e promover a igualdade de género.

O relatório surge alguns meses depois do mundo ter falhado uma das Metas de Aichi das Nações Unidas, criadas para evitar a destruição do mundo natural. De resto, esta é a segunda vez que os governos falham com os objetivos de biodiversidade a 10 anos. Esta semana, um grupo de mais de 50 países prometeu proteger quase um terço do planeta até 2030.

De acordo com um relatório recente das Nações Unidas, estima-se que um milhão de espécies esteja em risco de extinção, muitas delas já nas próximas décadas. Em declarações o jornal britânico The Guardian, Paul Ehrlich, professor na Universidade de Stanford, afirma que “a degradação do ambiente é infinitamente mais ameaçadora para a civilização do que o Trumpismo ou a covid-19”. Este mesmo professor publicou um livro em 1968, com o título “The Population Bomb”, onde avisava para uma iminente explosão de população e milhões de pessoas a morrer de fome. Apesar de hoje admitir que alguns dos timings previstos estavam errados, Ehrlich diz que a mensagem fundamental de que o crescimento da população  e os altos níveis de consumo nos países desenvolvidos estão a destruir o planeta.



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