Estudo mostra que químicos presentes em champô e brinquedos estão associados a morte prematura

Há uma categoria de químicos sintéticos designada ftalatos que pode ser encontrada em grande parte dos produtos de consumo usados no dia a dia, desde recipientes para armazenar comida a champô, maquilhagem, perfume ou brinquedos. No entanto, não é só pela sua transversalidade que se destacam: os ftalatos podem contribuir para a morte prematura de milhares de pessoas.

De acordo com um estudo publicado na revista científica Environmental Pollution, a estimativa é de entre 91 mil e 107 mil mortes prematuras por ano, entre os cidadãos dos 55 aos 64 anos, nos Estados Unidos da América. A investigação, reportada pela CNN, mostra que as pessoas que registam os níveis mais elevados de ftalatos têm maior risco de morrer por qualquer causa, mas em especial por problemas cardiovasculares.

Os ftalatos podem afetar o sistema endócrino, responsável pela produção de hormonas, e também estão associados a problemas de desenvolvimento e cerebrais, bem como problemas dos sistemas reprodutor e imunitário.

Em termos económicos, os investigadores estimam que as mortes prematuras associadas a estes químicos sintéticos podem custar os Estados Unidos da América cerca de 40 a 47 mil milhões de dólares, por ano, em produtividade.

Leonardo Trasande, principal autor do estudo, acredita que as novas conclusões são mais uma prova do impacto que os plásticos têm no corpo humano. Em declarações reportadas pela CNN, sublinha que é também mais um incentivo à necessidade de reduzir ou mesmo eliminar a utilização deste material.

«Estes químicos têm um histórico (…). E o facto é que quando se olha para todas as provas, é fornecido um padrão de preocupação», acrescenta Leonardo Trasande.

Do lado da indústria química, a perspetiva é outra. Em comunicado enviado à CNN, o American Chemistry Council garante que muito do conteúdo apresentado neste estudo tem incorreções. «Estudos como este não consideram os ftalatos individualmente e ignoram ou minimizam, consistentemente, a existência de conclusões baseadas na ciência em relação à segurança dos ftalatos de alto peso molecular», indica Eileen Conneely, do American Chemistry Council.

 

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