4 questões (dolorosas) que os homens mais velhos colocam a si mesmos

Atualmente, nos EUA, um homem que atinja o “marco” dos 65 anos de idade, pode esperar viver em média até aos 85 anos. Muito se fala sobre a terceira idade, é verdade. Mas no meio dessa discussão muitas vezes não nos concentramos realmente no que significa viver após os 80 anos de idade. Esta fase terminal das nossas vidas – conhecida por “quarta idade – traz consigo uma série de desafios, em particular para os homens, que exigem uma maior atenção.

De forma a documentar este importante período das nossas vidas, o autor Thomas Cole reuniu um conjunto de 12 testemunhos de homens com mais de 80 anos no seu livro “Old Man Country: My Search for Meaning Among the Elders”. Aqui procurou registar de que forma estes homens encaram os desafios do envelhecimento. Quais os seus medos, desafios e obstáculos. Assim, como procurar sinalizar alguns dos aspetos mais positivos que surgem ao longo desta “quarta idade”.

Ao conversar com estes homens – com diferentes histórias, estratos sociais e etnias – Cole apercebeu-se de quatro questões/problemas que eram frequentemente identificados. Estes são os temas que porventura mais atormentam e caracterizam o período de vida após os 80.

Ainda serei um homem?

A masculinidade não é uma mera coletânea de traços individuais de personalidade. É antes uma construção cultural da sociedade, que determina a forma com os homens se devem avaliar a si mesmos e aos outros. No entanto, as características que habitualmente definem esta masculinidade parecem terminar por volta da meia idade.

O declínio físico que se acentua a partir desta idade é uma sentença complicada de gerir. A ideia de uma reforma, habitualmente associada a uma perda de riqueza, prestígio e capacidade, cria a necessidade de perceber como se irá conjugar esse fenómeno com uma manutenção dos ideais de masculinidade.

Os homens entrevistados revelaram diferentes conclusões. Uns aproveitam para rejeitar por completo a ideia tradicional de masculinidade, assumindo uma maior capacidade emocional e uma maior valorização das relações. Outros explicam tentar manter a sua masculinidade ao continuar (o mais possível) as suas atividades “profissionais” e as frequentes idas ao ginásio para continuarem a fortalecer a musculatura.

Outros testemunhos chegam a revelar que, sobretudo após a perda de potência sexual, os anseios de masculinidade desaparecem. Alguns afirmam, nesta fase, considerarem-se “pessoas” ao invés de “homens”.

Ainda tenho alguma importância?

Desde que o período de reforma foi institucionalizado, certos homens sentiram-se marginalizados, invisíveis ou inúteis ao chegarem a esta fase das suas vidas. A reforma é para muitos um período “negro”, responsável por estados depressivos e uma total perda de autoestima. Todos aqueles que durante uma vida trabalharam e foram produtivos têm uma grande dificuldade em ajustar-se a uma nova realidade.

O desafio de após os 80 nos continuarmos a sentir relevantes é grande. A perda de capacidades físicas e a necessidade de muitas vezes estarmos dependentes do cuidado de terceiros, acentua o nosso sentimento de ausência de propósito.

Nestes momentos, os testemunhos recolhidos por Cole, identificam a necessidade de após esta idade existir um grande esforço para continuar a existir uma interação com outras pessoas e para se continuar a desejar fazer uma diferença na vida destes. Não desistir de aprender e criar coisas novas é igualmente fundamental.

Qual o sentido da minha vida?

Tal como explica Thomas Cole, dado que a Sociedade não parece atribuir “um conjunto de normas e sentido coletivo” à vida após a terceira idade, a tarefa de encontrar um significado para esta fase das nossas vidas está inteiramente dependente do individuo e da sua relação com a família ou comunidade.

O sentido das nossas vidas está intimamente relacionado com a existência de um sentimento de amor. Se somos amados e se amamos então a nossa vida tem importância e significado. Este é um sentimento que está igualmente relacionado com a moralidade e com o facto de acreditarmos (ou não) que a nossa vida correspondeu às nossas próprias expectativas. Como me comportei e comporto em relação à minha família, à minha religião, comunidade ou nação?

Ainda sou amado?

O amor existe em diversas formas. Existe o amor a Deus, a uma religião ou entidade. Existe o amor a uma família, o amor a uma amizade, o amor romântico, etc. A verdade é que é este coletivo de sentidos de amor que nos torna naquilo que somos realmente.

Manter relações de amor com os nossos parceiros, amigos ou familiares é essencial para assegurar que a fase mais tardia das nossas vidas é um período bom e feliz. Para estas pessoas, e segundo os testemunhos recolhidos por Cole, é fundamental continuarem a sentir que são amadas para serem também elas capazes de amar.



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